O Tatuador de Auschwitz, romance da autora neozelandesa Heather Morris, foi publicado a 11 de Janeiro de 2018. A obra vale a pena ser lida e relida por contar a história verídica do amor entre dois prisioneiros dentro do ínfame campo de concentração.

Em Dezembro de 2003, Heather Morris foi apresentada a Lale Sokolov, o tatuador do campo de concentração de Auschwitz durante a 2º Guerra Mundial, na promessa de que ele tinha uma história que valia a pena ser contada.

Este livro conta essa mesma história, que começa com Sokolov a ver-se obrigado a deixar a família e a ser levado num comboio de gado para um dos campos de concentração mais famosos e terríveis da história: Auschwitz.

Heather Morris

Quando lá chegou, Lale viu levarem tudo o que tinha, sendo-lhe dado apenas um uniforme velho e sujo para vestir. Foi então levado para Birkenau, para o bloco sete, onde começou por trabalhar na construção do resto do campo.

Um dia, ficou tão doente que os soldados o deixaram para morrer, junto com os restantes corpos. A sua salvação foi o ato corajoso de um amigo e a bondade do tatuador do campo da altura, que o curou. Passado algum tempo, Lale estava recuperado e a trabalhar como ajudante do tatuador (“tetovierer”).

Essa função não era o mais agradável, mas protegia-o de muitos riscos a que estava exposto nas obras. Para além de que foi aí que, na sua mesa de trabalho, conheceu Gita, a rapariga que lhe deu algo por que lutar. Foi nesse momento que teve o objetivo de sair do campo com ela.

Gita era uma jovem eslovaca que tinha chegado a Auschwitz poucos meses antes dele e trabalhava no Canadá, local para onde iam todos os pertences retirados aos prisioneiros. Lale sempre aprendeu a amar e a tratar raparigas corretamente com a sua mãe,  mas nunca se tinha apaixonado verdadeiramente. Porém, isso mudou quando conheceu Gita, aquela a quem salvou a vida na sua mesa, com um simples gesto. A partir daí tentou conhecê-la melhor e, por isso, tentavam encontrar-se todos os Domingos em que Lale conseguisse subornar algum superior com a comida extra que arranjava.

Durante três anos, o romance deles viu vários altos e baixos, passando por muitos problemas e sacrifícios, tendo em conta o local em que se encontravam. No entanto, os dois foram arranjando amigos e aliados, que os salvaram muitas vezes. Esses amigos foram o oficial Baretski, o superior de Lale, que se tornou seu amigo e confidente, e Dana e Ivana, amigas de Gita que a salvaram da morte e ajudaram Lale a percebê-la melhor, Cilka, colega e amiga de Gita, que salvara Lale da morte certa, e Victor e Yuri, pai e filho que levam comida a Lale, entre outros oficiais e prisioneiros.

Neste livro são relatados vários episódios chocantes e inesquecíveis, tais como a quase morte de Lale e Gita, as mortes horrendas nos crematórios dos campos de concentração da altura, e a chegada do doutor Joseph Mengele, o denominado Anjo da Morte, que fazia experiências nos prisioneiros.

Este romance consumado num local terrível toca em vários pontos importantes, como a sobrevivência, sacrifício, amizade e compaixão. Esta história verídica merece ser contada e testemunhada através de gerações, por ensinar uma lição a todos aqueles que pensam que a sua vida é difícil, e para que nunca se esqueça do que o ser humano é capaz, tanto para o mal como para o bem.