Na terça-feira passada, o Theatro Circo recebeu a peça de teatro “A Antiga Mulher”, com encenação de Tony Cafiero.

“A Antiga Mulher” é nos trazida ao palco da sala principal do Theatro Circo, pelo encenador Tony Cafiero. Uma peça de Schimmelpfenning, onde este se considera “o explorador de universos de luz e dos universos mais sombrios das nossas identidades contemporâneas”.

A obra de teatro, levada a cabo pela Companhia de Teatro de Braga, conta com a participação de cinco atores e uma vasta equipa desde guarda-roupa a coreógrafos. No centro do espetáculo, assiste-se a uma história tão antiga quanto a humanidade e por isso de uma contemporaneidade constante. O enredo prende-se numa mulher, Romy, antiga amante de Frank. Depois de uma longa busca, Romy consegue encontrar o homem que prometeu que a amaria para sempre, contudo, este é já casado com Cláudia há quase 20 anos.

A obra desenrola-se também com o filho do casal que tem uma namorada, no entanto, eles também terão de se separar, pois a família realizará no dia seguinte uma viagem para uma nova vida num destino muito distante. A peça baseia-se, principalmente, na música, efeitos sonoros e na conjugação do tempo cronológico. Não só pelo uso das time-lapses, mas também pelo casamento entre o casal jovem e o velho, mais profundamente pelo repetir do contexto principal que será o primeiro amor que acaba por algum motivo, e a ideia de círculo vicioso da dualidade da vida.

O espetáculo inicia com um cenário parcialmente escondido pela construção de uma parede frágil, com 25 blocos paralelepipédicos, regularmente empilhados, formando a figura de um retângulo de cinco por cinco.

Antes da entrada dos atores em cena, é feita uma projeção que tem como tela a construção descrita anteriormente. O vídeo apresentado remeteu para os filmes mudos, em que a música é utilizada para enfatizar as emoções demonstradas pelas personagens. A música e os efeitos sonoros foram um ponto crucial na construção da obra teatral. Esta funciona, segundo Tony Cafiero, como uma ponte que interliga os espectadores com a representação dos atores e visa ritmar as passagens de tempo de modo especial e das mudanças de cena.

A projeção é também utilizada com o fim de situar o espectador no espaço temporal, visto que a obra goza de inúmeras analepses e prolepses que têm como objetivo desdobrar, desmultiplicar e envolver-nos na peça, repetindo algumas cenas para as interligar.

“A Antiga Mulher” apresenta uma forte ideia que pretende demonstrar os pares de pólos magnéticos que se atraem, tal como na dualidade de um casal, feminino-masculino, velho-novo, próximo-distante.