Situado no campus de Azurém, na Escola de Engenharia, reside o curso de Engenharia Eletrónica Industrial e Computadores. Trata-se de um mestrado integrado que, ao longo de 5 anos, recebe alunos com intenções de se graduarem como um dos engenheiros mais procurados no mercado nacional e internacional, o engenheiro eletrónico. Porém, a viagem para todos os estudantes neste barco da aprendizagem é, em muitos aspectos, atribulada.

Por vários motivos, em junho de 2017, alguns alunos deste curso fundaram o Núcleo de Estudantes de Engenharia Eletrónica Industrial e Computadores com o objetivo de auscultar, representar e reinvindicar os direitos e interesses dos estudantes deste curso, que, por muitas vezes, se sentiam vítimas de um corpo docente velho, desatualizado e desinteressado.

Como é possível imaginar, representamos um dos cursos com mais elevada componente prática da UMinho e, com muito orgulho na formação que é oferecida aos estudantes e as competências que estes adquirem durante esses 5 anos, temos na academia minhota o percurso curricular com maior componente prática de todas as engenharias eletrónicas e eletrotécnicas do país. No entanto, a componente prática de um curso é como uma faca de dois gumes. Esta prática é possível graças a oficinas, laboratórios, componentes e ferramentas que um engenheiro eletrónico tanto necessita e sob as quais depende. Estes recursos representam custos…

O edifício 2 da Escola de Engenharia em Azurém é o mais antigo entre os demais edifícios no campus e é aqui que se encontra um departamento também muito antigo da UMinho, o Departamento de Eletrónica Industrial (DEI). Curiosamente e ao contrário do que muitos estudantes de engenharia eletrónica pensam, o DEI possui também instalações no longínquo edifício 16, a Escola de Engenharia do campus de Gualtar, onde, à semelhança de Azurém, tem também laboratórios onde diariamente alunos e investigadores trabalham recorrendo a uma elevada componente prática.

Como podemos entender, o DEI não é de todo um departamento pequeno, acolhendo assim os cursos de Engenharia Biomédica e Engenharia de Telecomunicações, suportando as componentes práticas de algumas unidades curriculares destes cursos com recurso a oficinas, laboratórios,
componentes e ferramentas.

Face a todas estas adversidades, o incansável trabalho desenvolvido pela direção do departamento e pelos técnicos não docentes do DEI é de elevado reconhecimento e agradecimento pelos alunos que o frequentam. No entanto, está ainda muito longe de atingir o esperado. Por todos os motivos enunciados, o departamento não é capaz de, ano após ano, suportar inúmeros custos associados a esta componente prática dos estudantes do MIEEIC, que anualmente e repetidamente são obrigados a comprar material, componentes e ferramentas que são obrigatórios nas unidades curriculares que frequentam. Como se não bastassem as despesas associadas aos estudantes que estão no ensino superior, como deslocações, alimentação e propinas, a situação financeira do agregado familiar de um aluno do MIEEIC sofre ainda com despesas que deveriam ser suportadas pela UMinho.

Sem mencionar as ferramentas de trabalho que são necessárias comprar, mas que continuam como ferramentas de trabalho para o resto da carreira profissional, como por exemplo um estetoscópio comprado por um estudante de medicina, estamos apenas a denunciar a compra de material que é unicamente utilizado em uma ou duas unidades curriculares. Após a mesma, não tem qualquer enquadramento e utilidade profissional, uma vez que se tratam de ferramentas de ensino sem qualquer transposição para o mundo industrial.

Ao longo dos 5 anos deste curso, vemo-nos em inúmeros momentos em que somos colocados a suportar custos que se expressam, maioritariamente, na compra de placas de desenvolvimento, ferramentas de trabalho, componentes eletrónicos e outros materiais para as aulas e projetos finais das unidades curriculares com maior componente prática. Não considerando o material recorrente e necessário como impressões, fotocópias e sebentas, até mesmo o próprio computador de trabalho, os alunos do primeiro ano são imediatamente confrontados com a compra de ferramentas e componentes que rondam os 75€.

Aquando da passagem ao segundo ano, surge uma plataforma de ensino necessária e os alunos despendem entre 25 e 35€. Mais tarde, quando alcançam o 3º ano, é necessário adquirir outra plataforma e desembolsam 20€, valor que aumenta com os restantes 30€ a 80€ gastos nas duas unidades curriculares em que desenvolvem um projeto. No 4º ano, os alunos divergem conforme a especialização, no entanto, em algumas os gastos continuam a surgir e chegam a ter que despender entre 25€ e 65€, valor que aumenta novamente com os restantes 30€ a 80€ gastos em projetos curriculares. Antes de terminar o 4º ano, existe ainda uma especialização que requer aos alunos a compra de uma placa, individualmente ou a pares, que atinge os 140€.

Este problema aqui exposto é algo que preocupa os alunos já há vários anos. Não concordamos, de todo, com estes custos que nos são impingidos quando este material deveria ser disponibilizado nos laboratórios, ao invés de ser comprado ano após ano. Material este que, por vezes, é descontinuado e os alunos que reprovam às UC’s têm que adquirir o mais recente. Material este que poderia até mesmo ser comprado uma única vez e ser alugado aos estudantes conforme a aplicação de cauções e taxas de aluguer. Porque é que não somos capazes de suportar estes custos como são as restantes universidades?

Em reuniões de núcleos de estudantes da nossa área, de todo o país, foi possível expor esta questão e receber o feedback de que noutras universidades/faculdades são disponibilizados nos laboratórios de trabalho praticamente todos os utensílios necessários. Um dos bons exemplos é praticado por uma outra universidade nova, à semelhança da UMinho, a Universidade de Aveiro. O curso de Engenharia Eletrotécnica e Telecomunicações da UAv possui também uma forte componente prática que se aproxima da nossa, mas, no entanto, os laboratórios estão equipados com todos os materiais necessários.

No último ano e meio de atividade e existência, o NEEEICUM tem colocado imensos esforços no ataque a este problema, em colaboração com a direção do departamento e algumas grupos de investigação, como o Embedded Systems Research Group (ESRG). Podemos adiantar que já temos colhido frutos positivos que melhoram esta condição: foi possível estabelecer contactos com empresas externas, resultando numa compra em quantidade de material do 1º ano, o que permite uma menor despesa ao estudante; foi possível, com a colaboração do grupo de investigação do ESRG, adquirir um elevado número de placas de desenvolvimento que são agora alugadas aos alunos, ao invés de vendidas, representado assim menos uma despesa no 2º ano; por último, é agora possível adquirir uma ferramenta no 3º que é depois reutilizada no ano seguinte, sem ser necessário comprar outra diferente no 4º.

É desta forma que os estudantes se expressam face a esta questão, inquietos e impacientes, esperando medidas e soluções, com as mangas arregaçadas e disponíveis para colaborar com o desenvolvimento de um melhor MIEEIC e de um melhor DEI, para que nos seja possível continuar a gritar “Glória, glória Eletrónica”, confiantes e convictos de que frequentamos a melhor Engenharia Eletrónica do país.