Filho da Mãe foi acolhido pelo Theatro Circo na passada sexta-feira, onde apresentou o seu novo disco, "Água-Má".

O pequeno auditório do Theatro Circo viajou no corpo de uma alforreca através de uma tempestade no Funchal, quando Filho da Mãe entrou em palco para apresentar o seu novo álbum. Num ambiente familiar e intenso, o guitarrista envolveu todos no seu sentido e treinado dedilhar de guitarra.

Filho da Mãe (nome artístico de Rui Carvalho) é um músico e compositor natural de Sintra que já integrou bandas como If Lucy Fell e I Had Plans. Lançou o seu primeiro disco a solo, “Palácio”, em 2011, ao que se seguiram “Cabeça e “Mergulho”. “Água-Má” é o seu quarto álbum, que acaba por ter o sinónimo de “alforreca”.

“Água-Má” percorreu o país durante o ano de 2018, passando pelo Teatro Maria Matos, em Lisboa, e o Ateneu Comercial do Porto, chegando, finalmente, a Braga.

O pequeno auditório do Theatro Circo envolveu-se num ambiente familiar, contando principalmente com amigos e fãs já de longa data do artista. Ao entrar e ver uma sala quase cheia, o artista agradeceu, radiante: “obrigado por terem vindo, sei que lá fóra está frio”.

Filho da Mãe iniciou a sua apresentação com “Praia”, que corresponde também ao primeiro tema do deu disco, uma música alegre com o dedilhado típico do artista. Seguiram-se os temas “Não me voltes atrás” e “Os meus ombros chumbaram a geografia”.

Nesta altura do concerto, Rui Carvalho explicou que o seu disco foi gravado numa residência artística improvisada no Funchal, durante uma tempestade. Admitiu assim que a sua obra tem “uma aura negra, mas tropical”, de forma que a música seguinte, “Nem chuva, nem cães”, teria algo a ver com isso. O artista acrescentou ainda que “o disco está à venda lá fora, digo isto muito desinteressadamente”, algo que sem dúvida arrancou várias risadas do público.

De seguida, ouviram-se as músicas “Não, não danço”, “Perseguição de bananas” e um tema de outro disco seu intitulado “Mergulho”, que o artista mais uma vez frisou estar à venda fora do auditório.

Posto isto, Filho da Mãe contou ao público mais um facto engraçado sobre a gravação do seu novo álbum: “como já sabem, o álbum foi gravado no Funchal, e no Funchal há uma bebida que se chama poncha. Bem, a gravação teve muita poncha e isso acabou também por influenciar o disco de certa forma”. Tocou assim uma música dedicada à bebida referente: “Poncha como o vento”.

Seguiram-se “Marraram as ondas, partiu-se o pontão” e “Casa”. “Manta” foi o tema que o guitarrista julgou que encerraria a sua apresentação. Trata-se de uma música que não se encontra no seu novo álbum, não pelo facto de não estar pronta na altura da edição final, mas porque “há coisas que é bom deixar de fora”, explicou Rui.

No final da sua apresentação, o artista despediu-se com um honesto “obrigado e até à próxima”. No entanto, o público recusou-se a deixar o auditório, o que fez com que o guitarrista voltasse para tocar mais um tema. Atrapalhado, Filho da Mãe agradeceu ao público e admitiu que não tem por hábito preparar encores: “gosto desta vibe pouco profissional que tenho”. Não obstante, seguiu-se um improviso musical que satisfez quem ali se encontrava.

Filho da Mãe deixou o pequeno auditório do Theatro Circo, agradecendo infinitamente ao público pela sua presença.