Contando com a participação de atuais e futuros jornalistas e docentes do Ensino Superior de todo o país, o projeto estreou este domingo.

As rádios universitárias foram o tema escolhido para a estreia do projeto Repórteres em Construção (REC), lançado este domingo. Foi emitido pela Rádio Renascença, que alberga o programa com duração de 20 a 25 minutos. As sessões dão lugar a podcasts publicados no website do projeto no primeiro domingo de cada mês.

O REC é uma iniciativa que está a ser construída há dois anos e que visa promover e apoiar a formação de estudantes de jornalismo no Ensino Superior, focando-se na sua colaboração com docentes e profissionais da área. Com o intuito de promover a criatividade em projetos no âmbito da reportagem e da investigação, o REC divulga trabalhos jornalísticos elaborados por estudantes de todo o país.

A iniciativa conta com uma centena de pessoas e alguns parceiros: escolas, órgãos de comunicação social, e, por fim, conta também com o apoio do Clube dos Jornalistas, o Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (CENJOR), a  Computação Cientifica Nacional (FCCN), a Casa da Imprensa e o Sindicato dos Jornalistas.

Como surgiu o REC?

No 4.º Congresso de Jornalistas Portugueses, um grupo de jornalistas e professores da área coordenaram cerca de 80 alunos de dez cursos de jornalismo de todo o país. Os participantes no desenvolvimento e na gestão da multiplataforma do evento formaram uma redação que deu aso à base do REC. Juntamente com o CENJOR foi criada a rede interuniversitária que constitui a sua essência.

Entre emails, coordenações gerais e núcleos regionais foi produzido um programa zero, desde fevereiro a junho de 2017. O processo conseguiu apurar técnicas e objetivos, resultando no formato atual do REC.

Segundo Sandra Marinho, presidente da associação construída para o projeto, “o projeto foi pensado muito em função dos estudantes e daquilo que poderia ser um contributo para a formação deles e também com vista ao cumprimento de algumas expectativas”.

“Na ausência de estágio, pensámos que era benéfico os estudantes terem uma oportunidade de verem como é produzirem um trabalho desde o início, de o terem acompanhado e de terem como aliados um professor e um jornalista, para depois verem o trabalho difundido. Isso no fundo é dar-lhes uma experiência”, explicou a  investigadora e docente da Universidade do Minho. Contundo, é na logística que reside a maior dificuldade de gestão do desafio, que até agora tem funcionado através da “tentativa erro”. “É preciso coordenar muita gente ao mesmo tempo, de mundos profissionais diferentes”, explica Sandra Marinho.

A essência do REC

Cada escola tem um coordenador local, podendo ter outros professores a trabalhar com ele. O processo da cobertura noticiosa inicia com uma proposta que, após a construção de uma equipa – por parte de cada escola – decide apresentar uma solução para um dos temas lançados.

O trabalho é, posteriormente, acompanhado até ao momento em que se agenda a formação. Ocorre no período de um ou dois dias e numa cidade que tanto pode ser Braga, Porto, Coimbra, Lisboa ou Faro.

“É como se estivesse ali uma redação toda junta. Depois, de forma muito próxima, recebem feedback por parte do editor e do professor”, esclarece a presidente do REC. É nesta parte do processo que entra o CENJOR com um formador que oferece acompanhamento em várias áreas.

Nas próximas sessões, os aspirantes a jornalistas abordam temas do quotidiano, como momentos de rutura na vida das pessoas, as alterações no mundo laboral, a saúde mental, as diferentes pronúncias do país, entre outros.