Bastou uma hora para o público ser transportado para o mundo dos sentidos, através de uma coreografia hipnotizante de Né Barros, com direção musical de José Alberto Gomes.

O público bracarense viveu, na última noite de sexta-feira, uma verdadeira experiência sensorial ao assistir ao espetáculo de dança “Revoluções”. Todos os sentidos foram desafiados neste projeto de fusão entre dança e música, num cruzamento disciplinar entre coreografia, imagem e música, contando com a instalação do coletivo Haarvöl e com a Digitópia Casa da Música.

Deeogo Oliveira, Elisabete Magalhães, Francesca Perrucci, José Meireles, Júlio Cerdeira e Sónia Cunha foram os seis bailarinos que deram corpo (e alma) ao “Revoluções”. Neste projeto, os intérpretes usaram os seus corpos como expressão das diversas revoluções que diariamente nos habitam, face às opressões que nos rodeiam, assoberbam e sufocam.

Foi junto ao público, apanhado de surpresa, que os artistas iniciaram as suas performances. Os amantes de dança puderam, assim, observar e apreciar, de perto, cada movimento dos ágeis e flexíveis corpos. Em palco, numa coreografia de dança contemporânea, os bailarinos estavam não só em perfeita sincronização entre eles mesmos, como com a música e com as projeções visuais.

“Revoluções” fez-se de movimentos corporais que falam, que gritam e protestam. As vozes são os corpos dos bailarinos que, ora demonstram energia, ora transmitem tranquilidade e paz, mas sempre com intensidade. Falam sem som. Falam com o corpo. “Revoluções” é um espetáculo intrigante que comprova que é possível falar sem pronunciar uma palavra. “Revoluções” é um poema visual e sonoro que não deixou indiferente nenhum dos presentes.

Este projeto, que se insere no programa de atividades de investigação do Grupo de Estética, Política e Conhecimento do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, poderá ser visto no Convento de São Francisco, em Coimbra, a 18 de abril.