Numa encenação caracterizada pela harmonia e minuciosidade, “Prelúdio: A Mulher Selvagem” proporcionou ao público bracarense uma viagem delicada à essência e à alma da Mulher.

No passado sábado à noite, o Theatro Circo foi palco para a peça teatral “Prelúdio: A Mulher Selvagem”, uma performance que, fazendo jus ao nome, tem como base a natureza feminina. A encenação esteve a cargo do Teatro da Didascália.

Nunca perdendo o foco no realce da natureza selvagem feminina, esta é uma performance poética, contada e cantada, capaz de fazer despertar o lado mais emotivo de quem a repara e escuta.

A peça fala de uma história intitulada “A Lenda da Mulher Lobo”, onde existe uma mulher que se dedica a colher e juntar ossos de esqueletos de lobos. Já com os esqueletos montados, a mulher consegue transformar o esqueleto num verdadeiro lobo que, por sua vez, se transforma numa mulher livre. Força, determinação, liberdade e indomabilidade são alguns dos aspetos retratados na peça, que atribuem à representação um carater sentimental.

A performance iniciou-se num ambiente escuro com a presença de três atrizes em palco. De maneira a conferir musicalidade à representação, a peça foi-se desenvolvendo a três vozes, quer num discurso oral, quer em melodias cantadas. O movimento dinâmico das personagens fez com que o público colocasse toda a sua atenção naquilo que se estava a passar diante dos seus olhos. A relação estabelecida entre os cânticos de diferentes tonalidades feitos pelas atrizes, permitiu uma melhor perceção da mensagem que estava a ser transmitida.

Já num momento final, que ficou marcado pela sintonia dos vocais femininos, o público teve a oportunidade de embarcar numa jornada de introspeção sobre o espírito livre, não só da Mulher, como também o do Homem.