No início da carreira, as Destiny’s Child lançaram o segundo álbum The Writing’s On The Wall, que contém muitas das músicas mais famosas, tanto do grupo feminino, como do R&B dos anos 90. Um grupo que começou como “Girls Tyme” embarca numa aventura de descoberta da sua verdadeira identidade.

O projeto inicia-se com “Intro (The Writing’s On The Wall)”, inspirada na cena do Padrinho no filme, de 1996, Set It Off. As Destiny’s Child introduzem o álbum ao reunir com o seu “padrinho”, neste caso a Beyoncé, para discutir as normas dos relacionamentos. Aqui, o grupo não canta, mas simplesmente fala, acompanhadas por uma música de fundo. É uma forma criativa de começar o disco, pois dá a sensação de que vão contar uma história.

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Em segundo lugar está “So Good”, onde falam sobre as dificuldades que o grupo passou e de como as ultrapassaram. Dirigem-se, por isso, aos haters e como as dúvidas das outras pessoas não afetaram o sucesso da banda. Em termos de estilo, integra-se no R&B dos anos 90, apresentando um ritmo cativante.

Dentro dos singles está “Bills, Bills, Bills”, uma das faixas mais famosas do grupo, que foi um hit nos anos 90. Aqui começa a abordagem de um tema que está bastante presente em todo o álbum – a independência da mulher. Desta vez, o grupo expõe uma situação em que o parceiro depende da mulher financeiramente, o que a faz arrepender-se de ter ficado com um homem que não lhe proporcione segurança financeira.

A quarta faixa é a primeira colaboração do álbum e chama-se “Confessions”, que conta com Missy Elliott. Com um estilo R&B mais calmo, as Destiny’s Child falam sobre a honestidade que deve existir numa relação. Neste caso, especificamente confessar traições e explicar como certas situações levam a este ato, mencionando que não conseguiam receber o amor da relação.

“Bug a Boo” é uma faixa que marca pela diferença, com um Hip-Hop muito mais mexido, que torna a música bastante diferente e interessante. Conta com a voz única de Beyoncé, que prevalece bastante nesta canção. Falam sobre um rapaz que está sempre a mandar mensagens e e-mails, o que pode ser chamado de um “bug a boo”, que é precisamente uma pessoa que tenta contactar alguém exageradamente e constantemente.

De seguida surge “Temptation”, que significa precisamente tentação. Foca-se especificamente nas trocas de olhares que causam este desejo. Desejo este que é proibido, pois admite que está comprometida (“relationship’s calling”) e que a única opção é resistir à tentação. O ritmo, por sua vez, é bem calmo, o que causa o tal ambiente de sedução e desejo.

A sétima faixa volta a tratar da independência e do poder da mulher. “Now That She’s Gone” conta a história de um casal em que o namorado sempre considerou a relação como garantida. Então, ela deixa-o, mostrando a capacidade de sair de uma relação onde o esforço e carinho que é dedicado não é retribuído. Entretanto, ele arranja uma namorada nova que não lhe dá qualquer valor, o que o faz desistir dessa relação e querer voltar para a antiga. Como resposta, Beyoncé diz que agora que se foi embora não vai ter nenhuma das duas.

O próximo tema é uma ode ao poder das mulheres, por isso se chama “Hey Ladies”, como que se chamar todas as mulheres para ouvir esta mensagem. Quando, apesar do amor que se sente, alguém acaba por nos magoar e nos faz sentir mal, temos de ter força para deixar essa pessoa. É bastante cativante e traz consigo uma mensagem importante, apesar de ser mais significativa para as mulheres.

Na décima faixa está uma colaboração com o artista Next. “If You Leave” fala sobre duas pessoas que foram traídas pelos parceiros, que se acabam por juntar, fugindo das preocupações e das pessoas que lhes fizeram mal. Apesar do tema ser um pouco dramático, as vozes dos artistas acabam por sair favorecidas, criando uma música agradável.

O próximo single é “Jumpin’ Jumpin’” que, hoje em dia, ainda é bastante ouvido. Aborda novamente a independência das mulheres que gostam de sair e ir a discotecas com as amigas para conhecer pessoas novas. É uma faixa que se destaca tanto pelo conteúdo como pelo ritmo, criando umo ambiente de uma discoteca nos anos 90.

A próxima música também é um single e é talvez a mais conhecida das Destiny’s Child. “Say My Name” fala de um telefonema entre um casal, em que o namorado responde de forma curta, não parecendo querer conversar. Assim, ela assume que está na casa doutra rapariga e não quer prolongar o telefonema, e por isso pede “say my name” para ter a segurança que precisa por parte do namorado. É uma faixa que vai ficar para a história da época e do grupo.

Quase no fim está “Sweet Sixteen” que traz uma mensagem importante para as raparigas mais jovens. Neste caso, as mulheres quando fazem 16 anos querem crescer depressa e tornar-se adultas quando, pelo contrário, ainda têm muito para viver pela frente. O grupo dá o conselho de encarar todas as situações com calma e aproveitar todos os momentos, ao som de um ritmo calmo e quase de balada, o que torna esta faixa muito mais emocional e pessoal.

Em penúltimo lugar está uma canção mais curta, “Outro (Amazing Grace…dedicated to Andretta Tilman”. É um cover de “Amazing Grace”, onde Destiny’s Child fazem um tributo a Andretta Tilman, que foi uma mulher que sempre ajudou e acompanhou o grupo.

A última faixa é uma colaboração com Timbaland e chama-se “Get On The Bus”. É uma boa música para fechar o álbum, pois tem um ritmo calmo onde se destaca mais participação de Timbaland. Fala sobre um rapaz que magoou a namorada, o que a faz começar a evitá-lo dizendo “get on the bus”, como que a despedir-se dele.

As faixas que menos se destacaram foram “Where’d You Go”, “She Can’t Love You”, e “Stay”. Falham num fator que é importante – o conteúdo lírico. Tratam temas banais de problemas e acontecimentos numa relação. No entanto, é de salientar que em “Where’d You Go” a voz de Beyoncé sai bastante favorecida.

Concluindo, este álbum é uma amostra daquilo que as Destiny’s Child se viriam a tornar, visto que são um grupo que passou por várias dificuldades e até transformações na sua constituição. Numa visão geral, o único ponto fraco é a repetição dos temas, apesar de, como é dito na faixa de introdução, o álbum ser sobre os assuntos das relações. Aliás, no final de cada canção, elas dizem uma frase que introduz a seguinte, transmitindo a ideia de que todo o projeto foi pensado e planeado para parecer uma história.