Também conhecido como Sensivelmente Idiota, o humorista e autor de três livros arrancou este ano com o seu primeiro solo de comédia stand-up, após ter esgotado inúmeras salas com talk shows.

O mundo é um “Lugar Estranho” e Diogo Faro veio explicar porquê ao Espaço Vita, em Braga. Esta quinta-feira decorreu o seu espetáculo de comédia, marcado pela revolta face às problemáticas atuais da sociedade que, aos olhos do humorista, evolui e regride simultaneamente.

Vestido de preto e com dezenas de globos no palco, tanto fiéis e realistas como coloridos e personalizados, Diogo Faro aliou a frontalidade à simplicidade. O artista fez do stand-up uma forma de dar a entender ao público a sua perspetiva, abordando atuais polémicas satiricamente e estabelecendo relações caricatas entre assuntos distintos.

Em referência às fobias entre seres humanos, Faro questiona o porquê de ainda haver tanta islamofobia, homofobia e xenofobia, por exemplo, fazendo um reparo ao caso que envolveu Cristiano Ronaldo e Kathryn Maiorga. “Isto não faz sentido, devíamos estar todos preocupados com outras coisas”, de entre as quais, salienta a necessidade de não poluir tanto.

“Mas conseguimos evoluir em muita coisa”, acrescenta. E, como exemplo, o humorista estabelece um paralelismo: a diminuição da taxa de mortalidade e o lançamento de um carro para o espaço. “Para quê? Não sei, mas pronto, pusemo-lo lá.”

A plateia, rendida ao liberalismo de Diogo Faro, aplaudiu, entre gargalhadas, o tom irónico do comediante, que com elos de ligação entre piropos e liberdade de expressão, explica que “os piropos nunca na vida funcionaram.”

Após defender o direito à liberdade e, consequentemente, à mudança de sexo, Sensivelmente Idiota abordou também as etiquetas sociais, onde referiu que “rotulamos as pessoas como se fossemos restos de comida”.

Utilizando o stand-up como forma de sensibilizar o público sobre assuntos que, segundo ele, muita gente não se dá ao trabalho de tentar perceber, Faro enaltece o individualismo de cada um, criticando as pressões que os seres humanos colocam uns sobre os outros. Especificando os estereótipos relativos aos homens e às mulheres, o humorista mostrou o quão retrógrados acha que são certos pontos de vista.

Entre dívidas e perspetivas bem assentes, teve também lugar no auditório do Espaço Vita um pouco da sua história de vida e daquilo que o trouxe ao stand-up. Diogo Faro, que em criança se divertia entre pequenas atividades de representação e música, cresceu e envolveu-se em sarilhos financeiros.

Do secundário para a universidade, o humorista trabalhava a recibos verdes e tudo estava bem. Algum tempo depois, Diogo Faro recebeu uma carta da Segurança Social onde constava uma dívida de 9 mil euros. “Eu até pensei que se tinham enganado a escrever ‘prémio’”, mas não. Em forma de agradecimento ao público pela sua presença, o comediante referiu que todos o estavam a ajudar a pagar.

Como é caraterístico, continuou o espetáculo sem papas na língua, percorreu polémicas e tabus, estereótipos e construções sociais e tornou o auditório num lugar mais acolhedor ao contar algumas aventuras e desventuras, entre elas, o questionamento da própria sexualidade, mostrando a necessidade da normalização deste tipo de assuntos.

A plateia rendeu-se ao quão decidido Diogo Faro se mostra, à liberdade que anseia que um dia todos tenham e à comédia que faz e destoa da maioria.