Nina Nesbitt, a sensação Pop escocesa, lança um novo álbum repleto de profundidade. The Sun Will Come Up, The Seasons Will Change aborda temas com os quais todas as pessoas se podem relacionar, como o amor, perda e crescimento pessoal. Estas temáticas são interpretadas, a nível sonoro e vocal, de formas completamente distintas.

“Sacred”, a primeira faixa do álbum, explora momentos da vida em que os prazeres imediatos e passageiros, como o consumo de álcool, já não são suficientes. Enquanto artista, Nesbitt sente que conhece melhor desconhecidos do que os próprios amigos, uma vez que “all people just play pretend”. Subentende, assim, uma compreensão do fingimento que a circunda. Contudo, esta farsa é vista como algo normalizado pela sociedade e do qual a própria passou a recorrer.

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De algum modo, esses aspetos fazem-na perder a confiança em quem a rodeia e a sentir-se incomodada: “I feel funny, feel dirty, feel outta place”. Após perceber esta realidade, a cantora procura encontrar uma solução possível para os seus problemas, o amor. Porém, não um amor qualquer, mas o de alguém que sinta falta em todos os momentos e não apenas nas más situações. “I don’t want a lover who I’m only gonna love when I’m wasted”.

Durante os primeiros versos de “The Moments I’m Missing”, Nesbitt parece contar-nos parte do seu percurso de vida, os seus sonhos de infância e as mudanças com a vinda da adolescência, como o mudar de aspeto para marcar a transição. “I started drawing black under my eyes”. Outra mudança descrita, ainda que demarcada por alguma timidez, é o do seu primeiro beijo. “First time I kissed him, well, it was the last, cause I got afraid”.

No pré-refrão percebemos que esta enumeração de eventos da vida da artista corresponde a tudo aquilo de que ela tem saudades, explicando o porquê do seu título. Para além disso, a artista descreve que se sente arrependida por não ter aproveitado aqueles momentos ao máximo devido à preocupação de crescer demasiado depressa. “I was just standing there wishing I could grow up and my life would be different”.

“The Best You Had” discute questões que passam pela cabeça de algumas pessoas após uma relação fracassada. “Does she ever feel like me? Do you ever talk about us? I’ve been using bodies just to get me through the night. Is it the same?” são algumas tentativas de procura de explicações do sucedido, embora sejam em vão. Esta procura apenas comprova a existência de sentimentos por outra pessoa ou, até mesmo, de algum sentimento de possessão.

Em “Colder”, Nina Nesbitt demonstra uma fase mais adulta da sua vida. Reflete as constantes desilusões amorosas que provocam cicatrizes para todo o sempre. Contudo, após incidir na ferida, a artista concluí que temos de ser frios e que não podemos confiar em toda a gente. “When you let your heart fall that’s when you get a little colder”.

“Loyal To Me” comprova uma maior perceção da vida amorosa por parte da cantora. Demonstra que existem sinais mais ou menos evidentes de que um relacionamento irá falhar ou nem começará. “If he never calls when he says he will, if he always tells you to keep it chill, baby, then you know he was never real”. E, por isso, mais vale terminar com o mesmo, “if you have to question, “Is he loyal to me?””.

Para além disso, a artista reflete sobre a confiança para com as pessoas que amamos. Explica que nem tudo é o que parece e, antes de agirmos, temos de pensar duas vezes. O exemplo que utiliza para retratar esta realidade é o envio de fotografias sugestivas. “Hope you never let those pictures send, he’ll only go show them to his friends”.

“Is It Really Me You’re Missing” questiona o porquê de ser a escolha número um, duvidando dos motivos dessa preferência. “Is it really me you’re missing? Or am I the only one who’ll listen to you? Am I the only number that you’ve tried?”.

Em “Last December”, independentemente das experiências de relações passadas, a artista não descarta a possibilidade de sentirmos falta de alguém ou de amarmos alguém novo. Como prova desse facto, Nina Nesbitt, em “Things I Say When You Sleep”, reconhece que ama uma pessoa, descrevendo tudo sobre a mesma ao pormenor.

A canção mais tocante do álbum, “Chloe”, reflete as mais duras realidades do crescimento, dos amigos a começar famílias e o medo de perda, como resultado de vivenciarem etapas diferentes da vida. A maternidade é abordada de um modo extremamente genuíno, apontando as consequências da gravidez, mas também, a maior recompensa que dela se pode tirar. “Now your body’s bigger, soon she’s gonna be someone”.

Após um enorme percurso na procura do seu lugar no mundo, descrito em “Empire”, Nesbitt afirma que a vida é incerta e, muitas vezes, estranha. No entanto, o mais importante é termos amor próprio, como a artista afirma em “Love Letter”. E, mesmo em momentos em que a esperança numa vida melhor parece não existir, temos de perceber que tudo acaba sempre por melhorar. “The sun will come up, the seasons will change”.