Ultimo Café debate do Centro de Estudos do Curso de Relações Internacionais (CECRI) discute futuro da UE.

O Brexit, o nacionalismo, o patriotismo e o populismo são os grandes desafios do projeto europeu. Neste sentido, o CECRI reuniu vários convidados no café debate “O que esperar da UE?” na passada terça-feira, no bar Pão de Forma, para discutirem estas temáticas.

Paulo Sande, professor na Universidade Católica e candidato às eleições europeias pelo Aliança, defendeu que para a afirmação da Europa é urgente uma mentalidade patriótica, uma vez que ser patriota implica a aceitação do outro e a partilha de ideias. O candidato defendeu ainda que “Portugal beneficia mal, mas beneficia muito da coesão” e que a taxação e contribuição dos países para o projeto europeu enfrenta um impasse de que “toda gente pede mais omeletes mas querem dar menos ovos”.

A questão da criação de impostos europeus não é bem acolhida por Ricardo Arroja, candidato às eleições europeias pelo partido Liberal, uma vez que põem em causa a soberania dos países membros. Para este interveniente, o projeto europeu deve dar prioridade à circulação dos bens, pessoas, capitais e serviços que devem ser ainda mais potenciados.

Liliana Reis, docente na Universidade da Beira Interior e na Universidade Lusíada do Porto, deu enfoque à “germanização” do concelho europeu e à consequente limitação da ação política dos eurodeputados dos diversos estados membros. No seguimento desta intervenção, Catarina Silva, mestre na Universidade do Minho, destacou o risco do crescimento do euroceticismo nas próximas eleições europeias. Enquanto se insistir na convicção de que “o que é bom devemos aos governos nacionais e o que é mau vem de Bruxelas” não se pode reclamar projetos europeístas, há votos nas “franjas” de protestos ou de distanciamento do projeto europeu, acrescentou.

No desenvolvimento deste café debate foi ainda discutido pelos convidados o desafio da coesão europeia enfraquecido pelo ambiente de concorrência entre os vários países da UE. Foi neste contexto que Renato Soeiro, engenheiro da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e antigo eurodeputado, defendeu que impera a “batota” e a permanente “falta de respeito pelas próprias decisões e regras da UE”.

O último café debate realizado pelo CECRI teve como objetivo discutir os novos horizontes europeus e o futuro desta organização.

José Duque e Pedro Serrasqueiro