O “II festiv’arte da alegria”, que decorreu no sábado passado em Celeirós, Braga, levou a palco “Teatro d’ART” e “Artes d’alegria”, dois grupos amadores de teatro.

No passado sábado, o auditório da junta de freguesia de Celeirós recebeu a segunda edição do “festiv’arte da alegria”, um evento que de fevereiro até julho irá reunir, uma vez por mês, diversos grupos amadores de teatro, onde o objetivo é tornar esta arte mais próxima das populações.

O grupo amador Teatro d’ART trouxe “Pé na Estrada”, uma história que retrata duas formas divergentes de ver a vida. Em palco, no que parecia ser uma estação de comboios, encontravam-se dois atores do sexo oposto, onde o homem esperava pela sua amada, que o deixou e nunca mais voltaria, mas que apesar de saber disso,  tinha a esperança de a voltar a encontrar. No caso da mulher, esta fugia dos sentimentos negativos que uma deceção amorosa a fez passar.

A personagem masculina, devido a essa amargura e ao sentimento de culpa, apresentava uma visão derrotista da vida, ficando amarrado ao passado, com uma capacidade de sonhar reduzida e com o sentimento de que a morte iria chegar um dia. Sentia que não havia necessidade de se deslocar para lado algum.

Com uns ideais totalmente opostos, a senhora carregava em si um espírito mais otimista, com uma vontade de explorar as sensações que o mundo tem para lhe dar. Com os olhos postos somente no futuro, e com a ideia de que a morte está dentro de nós, acreditava na necessidade de aproveitar a vida ao máximo, sem deixar, em momento algum, que o espírito morra.

Assim, num cenário simples, decorado somente com um banco, ficou a mensagem de que um acontecimento comum aos dois teve efeitos totalmente diferentes em ambos, fazendo com que estes tivessem visões dissonantes de temas centrais da vida.

O poema “Todos os homens são maricas quando estão com gripe”, do escritor António Lobo Antunes, foi a base da performance do grupo Artes d’alegria, que após recitar o poema, explicitou que a obra merecia ser exposta de outra maneira. Então, com oito atores de diversas faixas etárias em cena, vestidos a rigor e com uma enorme vitalidade, presenteou a plateia com uma atuação repleta de humor. Representando o drama feito em torno de uma simples gripe, despoletando gargalhadas e aplausos de todo o público, foi notória a satisfação e o entusiasmo, visíveis nos rostos de quem assistiu à atuação.