O primeiro álbum do duo britânico funciona, de certa forma, como uma ponte entre o trabalho da banda anterior de Lennox e Stewart, The Tourists, e a revelação dos Eurythmics como um grupo altamente comercializável. Lançado em outubro de 1981, o projeto de Annie Lennox e de David Stewart carateriza-se por um estilo mais independente, algures entre o Rock, o Pop, o Punk e o Indie, não tendo tido grande sucesso por não incluir grandes hits por parte do duo.

“English Summer” é o arranque do álbum. A letra faz-nos recordar uma infância passada e a melodia remete para um estilo de música mais independente e alternativo. A mistura de sons de pássaros e da cidade faz a ponte entre a primeira parte da faixa, feita de memórias e elementos naturais, e a segunda que nos introduz a um elemento mais “citadino”, o telefone. Tudo isto cantado com a versão suave da voz de Lennox, em nada igual ou sequer comparável à voz ouvida nos maiores sucessos do duo como “Sweet Dreams (Are Made of This)”, por exemplo.

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Segue-se “Belinda”, num género mais virado para o pós-Punk/Indie Rock e com forte destaque na guitarra. É, talvez, a faixa mais dreamy do álbum, pois através da voz transporta-nos para uma espécie de mundo mágico e de fantasia: onde a chuva cai, o amor chama e Belinda tenta convencer-se de que “ele” não a dececionará. É quase que traduzível numa imagem estética, quase impossível de não gostar sem se saber explicar muito bem porquê.

“Take Me To Your Heart” contradiz o estilo da faixa anterior pela sua riqueza na utilização de sintetizadores e destaca-se pela batida fortemente marcada. “She’s Invisible Now” continua a utilizar uma linha de sintetizadores, contudo o destaque passa da bateria para a guitarra. A voz volta a um tom mais sonhador.

“Your Time Will Come” dá a volta à doçura da faixa anterior. Tem um ritmo mais enérgico e marcado e a letra incita, de certa forma, a uma vingança, que se concretiza na última faixa do álbum, “Revenge”. A última canção traz também alguma inquietação pela forma suave como uma vingança é cantada e pelos risos utilizados.

“Caveman Head” aproxima-se de uma linha mais comercializável do duo pelo ritmo elevado, sendo que pode dizer-se o mesmo da canção “Never Gonna Cry Again”. Nesta última, a simplicidade da guitarra dá força ao elemento surpresa, a utilização de instrumentos de sopro.

“All The Young (People Of Today)” e “Sing-Sing” são, talvez, as faixas mais intrigantes do álbum, dando continuidade aos elementos surpresa. A primeira marca pela estranha calma e lentidão, aos usar guitarra e sintetizadores de forma especialmente interessante, que criam uma sensação de caos cantado com a voz melancólica de Lennox. Já “Sing-Sing” é cantada em francês e parece ter um toque de Eletrónico e Disco, dando destaque ao ritmo, tal como tem acontecido nas últimas faixas do álbum.

No geral, as canções de In The Garden têm uma sonoridade coesa, ainda que com ligações estranhas, que resultam num álbum que nos dá a conhecer um lado mais íntimo e menos popular do duo. Apesar das letras não serem de outro mundo, as pequenas surpresas que vão surgindo, como os instrumentos de sopro em “Never Gonna Cry Again”, a calmaria caótica em “All The Young (People Of Today)”, o francês em “Sing-Sing” e a versão suave e natural da voz de Annie Lenox, tornam In the Garden um álbum que vale a pena ouvir.