O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz é a história real dos terrores vividos pelos prisioneiros do regime nazi durante a Segunda Guerra Mundial. Lançada em Janeiro, é a mais recente obra do autor galês Jeremy Dronfield.

Tudo o que resta de valor da família Kleinmann e que auxiliou na investigação para esta obra foi o diário que Gustav conseguiu carregar sempre consigo. Ele escrevia regularmente neste diário acerca dos horrores e experiências por que passava.

Jeremy Dronfield

Os anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial foram de grande prosperidade para os judeus de Viena e de toda a Europa. Gustav Kleinmann é um dos que, juntamente com a sua família, vive neste clima tranquilo e confortável. O veterano de guerra vive com a sua mulher Tini e os seus quatro filhos, Edith, Herta, Fritz e Kurt, num apartamento em Im Werd, Viena.

Quando os rumores da Alemanha nazi e anti semitista chegaram à Áustria, Gustav facilmente os ignorou, devido ao seu espírito otimista. Até que, um dia, a força anti semitista alemã consegue entrar na Áustria, o que realmente abala o espírito livre da família Kleinmann. Os judeus são ameaçados e vivem em constante alarme, visto que os vizinhos e amigos se viram contra eles, e os seus negócios e empregos são-lhes retirados.

Todo este tormento inicial culmina em dois momentos: a “noite de cristal”, em que todas as lojas e armazéns de judeus são sabotados e as ruas se enchem de vidros, e a detenção, em que centenas de judeus começam a ser enviados para os campos de concentração. Gustav e Fritz, pai e filho, são os primeiros prisioneiros a ser enviados para o campo de Buchenwald. Se eles pensavam que todo o terror já tinha passado, estavam redondamente enganados, pois o pior ainda estava para vir.

Buchenwald ficou conhecido como um dos piores campos de concentração da história, para além de Birkenau e Auschwitz. Aqui, Gustav e Fritz, passaram por uma das maiores provas da sua vida: o trabalho bruto de escravidão para construir os campos, as constantes torturas e agressões, e os dias a fio sem comer.

Mas, no meio de todo este inferno, houve ainda sempre algo que os manteve juntos: a esperança de Gustav e o amor incondicional de pai e filho. Foi este amor e sacrifício um pelo outro que os manteve sempre vivos.

Um dia, Gustav foi destacado para o campo de Auschwitz, e ambos sabiam o que isto significava: morte. Só eram destacados para Auschwitz os homens que eram considerados inválidos e, assim, ficavam à espera da morte. Fritz estava a trabalhar numa tarefa confortável na construção, mas não conseguia imaginar continuar lá sem o pai ou mesmo deixá-lo sozinho. Assim, decidiu abandonar o seu trabalho e pediu aos superiores em que confiava para o enviarem com o pai para o ínfame campo de concentração situado no sul da Polónia.

Esta história verídica é a prova dos horrores passados pelos prisioneiros dos nazis. Demonstra até onde a mente humana consegue ir, pelo pior mas também pelo melhor, e mostra como em situações extremas o ser humano consegue demonstrar afeto e compaixão pelos outros, por vezes mesmo que estes não estejam numa situação tão má como a deles.

O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz envolve o leitor numa atmosfera leve, quando comparada com os horrores passados, porque demonstra este lado bom do ser humano. É uma história com uma lição de vida a não perder.