A arte do espetáculo marcou presença na cidade de Braga, trazendo consigo duas performances que vieram despertar e animar a noite do público de Celeirós.

No passado sábado à noite, o Auditório da Junta de Freguesia de Celeirós foi palco de mais uma iniciativa do projeto FestiARTE D’ALEGRIA, que assinala a 2ª edição. Contando com a atuação da companhia de teatro PIF’H, com a peça intitulada “Ó, Balha-me Deus!”, a noite foi passada ao som de gargalhadas e boa disposição.

Não fugindo ao nome pelo qual se apresenta, este é um evento organizado pela companhia de teatro Artes D’Alegria, que tem como objetivo dar palco ao teatro amador. A iniciativa fica reservada à participação de vários grupos de teatro que, todos os meses, atuam no Auditório da Junta de Freguesia de Celeirós. Desta vez, o mês de abril trouxe consigo uma performance extra.

Num ambiente inquietante e com a casa cheia, o auditório foi surpreendido com uma performance por parte da companhia Artes D’Alegria, que foi encarada como a atuação de abertura do espetáculo. Dado que nos encontramos no mês de abril, a performance proporcionada pelo grupo baseou-se no 25 de Abril, de maneira a fazer alusão à importância da data para o país.

Inspirada no filme “Capitães de Abril”, a atuação, encenada por Pedro Rodrigues, apresentou-se ao público com interpretações referentes à falta da liberdade de expressão e ao ambiente rigoroso que se vivia na época. Seriedade e disciplina foram algumas das características que servem para ilustrar a prestação dos atores em palco.

Entre momentos de riso e momentos de maior tensão, a parte final da atuação ficou marcada pela distribuição de cravos vermelhos à plateia, ao mesmo tempo que ecoava por toda a sala o “Grândola Vila Morena”. O momento que finalizou esta primeira parte da noite ficou registado pelas mãos ao alto com as flores e pelas vozes prontas a cantar.

Após vários aplausos, o espetáculo prosseguiu com o discurso de José Miguel Braga, encenador da peça “Ó, Balha-me Deus!”, de maneira a esclarecer a plateia do que se avizinhava. Esta é uma peça contruída a partir de textos de Juan Mayorga e de Pedro Quintas, que arrasta consigo vários cenários e situações dentro de um tribunal. Aqui são feitas críticas às situações do quotidiano, como a homossexualidade e as redes sociais, acompanhadas de um notório teor humorístico por parte dos atores.

Numa agitação constante com movimentações sistemáticas, a performance fez-se acompanhar de várias gargalhadas, oriundas de todos os cantos do auditório. Mantendo a animação em cima palco, a plateia foi aplaudindo à medida que cada cena ia acontecendo. A peça terminou com um momento de calmaria onde os atores, estáticos e de olhos fixos na plateia à sua frente, citaram o poema “A Vida é Sonho”, da autoria de Calderón de La Barca.

De maneira a encerrar uma noite destinada ao teatro, o espetáculo acabou com o público de pé e com aplausos destinados a todos os atores e encenadores presentes. O ambiente familiar que se criou permitiu que houvesse ainda tempo para que os encenadores dos grupos de teatro presentes conseguissem dizer umas palavras, não só de agradecimento, mas sobretudo de homenagem ao teatro e à arte do espetáculo.