No próximo ano letivo, será testado um novo modelo para os alunos do ensino profissional acederem ao Ensino Superior. Neste sentido, os estudantes não têm de realizar os exames nacionais e estão sujeitos a concursos locais. Para tal, compete às universidades e politécnicos elaborarem um conjunto de critérios para escolherem os estudantes que vão integrar as licenciaturas.

Segundo dados apresentados pelo Expresso, 80% dos alunos que terminam o ensino secundário, nos cursos científico-humanísticos, ingressa no Ensino Superior. Já no que diz respeito aos alunos do profissional, somente 20% prossegue os estudos.

Os exames nacionais estão para os alunos como as finais para os atletas. São momentos de pressão e muita tensão, mas indispensáveis para alcançarem os seus objetivos.

Ao longo dos tempos, muito se tem falado sobre o peso que os exames têm na média para entrar na universidade. Durante três anos, os estudantes são confrontados com matéria que tem de ser aplicada no espaço de, sensivelmente, duas horas, numa prova decisiva para muitos jovens.

Para os alunos do profissional, o problema complica-se. Além de terem de fazer os exames para acederem ao Ensino Superior, é-lhes imposto que saibam matéria de disciplinas que não tiveram. Ora, a partir daqui temos a explicação para que muitos estudantes dos cursos profissionais não entrem nas universidades e politécnicos.

A ideia é aumentar de 5% a 10% o número de vagas para os alunos do ensino profissional. Assim, com esta medida, o governo pretende, de alguma maneira, equilibrar o acesso ao Ensino Superior e fazer com que mais alunos do profissional entrem nas universidades e nos politécnicos. Mas a questão levanta-se: será esta a medida mais indicada?

Parece-me que esta proposta seguiu ‘a lei do mais fácil’. Se os exames são um obstáculo, então que sejam retirados. Antes os alunos dos cursos cientifico-humanísticos estavam um passo à frente por terem preparação para os exames, agora parecem-me estar dois passos atrás. Continuam a estar sujeitos aos exames e ainda têm uma maior concorrência.

E é aqui que surgem outras questões. Que critérios as universidades podem colocar para a entrada dos alunos nas respetivas licenciaturas? Alunos do ensino regular podem ficar de fora para dar lugar aos alunos do profissional? Haverá uma redução de vagas totais consequente desta medida? Que futuro para cursos técnicos superiores profissionais? E a questão mais importante de todas: é este método justo?

Tanto estudantes dos cursos científico-humanísticos como os do profissional têm o direito de prosseguir os estudos. Mas, se querem tratar todos os alunos da mesma forma, deem-lhes as mesmas oportunidades.

Neste momento, os exames nacionais são o elemento de avaliação igual e transversal a todos. Apesar de considerar que não é o melhor critério, é o que temos. Se queremos estar todos em pé de igualdade, a mudança tem de ser mais profunda.

Olhemos para o nosso sistema de ensino e façamos uma retrospeção do que realmente precisa ser alterado. Chega de ‘tapar buracos’ ou fazer pequenos remendos. É preciso parar, pensar no que está mal e pôr mãos à obra para conseguirmos que o setor da Educação consiga ser estável e, acima de tudo, justo.