Disciplina e ritmo foram duas das características que marcaram a noite da cidade de Braga. Com um espetáculo baseado na capacidade de movimento e rigor do corpo humano, o público bracarense foi presenteado com uma performance de tirar o fôlego.

Na passada quinta-feira à noite, o Theatro Circo abriu portas para uma performance enérgica que arrasta consigo um conceito distinto. Intitulado “UM (Unimal)”, este é um espetáculo que se baseia numa atuação a solo de Anaísa Lopes, com o intuito de, a partir do ato de marchar, mostrar os variados movimentos que são possíveis de se fazer com o corpo.

Dadas estas características, a ideia implícita é a da sobrevivência e resistência física humana, sendo possível de se verificar um teste aos limites do indivíduo. A dança que se esboça não fica ao critério de quem a executa, mas sim das instruções transmitidas ao vivo à intérprete, através de auriculares.

O cenário escuro, decorado com um lençol que se estendia desde o teto até ao chão do palco, permitiu criar um ambiente intimista que colaborou para a existência de uma proximidade entre a intérprete Anaísa Lopes e o público. A atuação iniciou ao som das instruções de Cristina Planas Leitão, diretora artística e coreográfica, pedindo à artista que se preparasse, ao vivo, para a atuação. Esta parte inicial contou com minutos de nudez, momento inesperado que surpreendeu e captou, de imediato, a atenção do público.

A marcha serviu de elemento base para toda a performance. À medida que a intérprete se mexia, vários sons se faziam ouvir por toda a sala, de maneira a orientar e acompanhar a sua mobilidade em palco. A velocidade e a complexidade dos gestos iam aumentando com o decorrer da atuação, deixando o público preso ao que estava a acontecer à sua frente.

Com efeitos de luzes progressivos e música cada vez mais ritmada, a prestação de Anaísa Lopes ficou marcada pela energia e resistência com que demonstrou em palco, transmitindo uma inquietação notória à plateia. A obediência que revelou face às instruções que lhe iam sendo dadas também foi um aspeto significativo, concedendo um caráter autoritário à atuação no geral.

Após uma hora sem parar, foi ordenado à intérprete a conclusão da performance. Terminando com uma respiração ofegante e um sorriso na cara, Anaísa Lopes ficou imóvel no palco enquanto agradecia os aplausos dos quatro cantos da sala.