A cantora subiu ao palco do Forum Braga para fechar o evento do Enterro da Gata. Na mesma noite atuou Silva.

Blaya atuou no último dia de Enterro da Gata. Em entrevista ao ComUM, antes do concerto, a artista revelou os maiores desafios que enfrenta enquanto cantora a solo e confessou, ainda, a forma como tenta ajudar as pessoas a serem elas próprias.

A interprete da música “Faz Gostoso” animou o público, encerrando a última noite das Monumentais Festas do Enterro da Gata, este ano a decorrer pela primeira vez no Forum Braga.

Cláudia Mendes/ComUM

ComUM: Quais as espectativas para este espetáculo?

Blaya: Eu respondo sempre que eu nunca tenho espectativas. [risos] Na verdade, eu deixo as coisas acontecer. E durante o concerto vou interagindo com o público, vou tentando perceber o público e dar sempre o meu máximo. Tentar animar o público ao máximo, que eles saiam daqui felizes e a cantar as minhas músicas.

ComUM: Para este teu novo álbum, quais foram as inspirações que tiveste?

Blaya: É sempre todas as minhas influências: o afro, o funk e a música “europeia”, que é assim um bocadinho mais eletrónica.

ComUM: Como artista a solo, quais são os teus maiores desafios?

Blaya: Os meus maiores desafios? Por exemplo eu estive com o Buraka durante muitos anos – oito. Um dos desafios quando eu comecei a solo era não ter não ter back-up em palco, pessoas que estavam comigo em palco, a cantar as minhas músicas para o caso de eu me esquecer. Isso é um dos desafios. Se eu me esquecer da letra não tenho ninguém que saiba a letra a não ser eu [risos]. Isto é a nível de palco. A nível, por exemplo, de fazer um bom espetáculo. Os artistas cá em Portugal não têm muitos patrocínios. É mais as figuras públicas, a nível de atores. Por exemplo, os artistas, pintores, músicos não têm muito patrocínio. Então, a nível de palco, não podemos fazer muita coisa. Temos sempre que gastar mais do que nós recebemos quando fazemos um concerto. De facto, eu tenho muitos artistas a minha volta que me apoiam. Não quer dizer que não seja o suficiente, mas poderia ter mais artistas a minha volta que me pudessem apoiar mais para a minha música chegar a outros sítios. Porque o “Faz Gostoso tem trinta e um milhões – foi tudo mérito da equipa que trabalha comigo que é a RedMojo e Warner, das pessoas que escreveram a música e que partilharam. Então, não foi muito de outros artistas que partilharam a música.

ComUM: É importante para ti usares a tua fama como veículo de sensibilização para a liberdade de expressão corporal e para sensibilizares, principalmente as mulheres, sobre o feminismo?

Blaya: Eu tento sempre ver os dois lados. É mais pela cena da igualdade. Os jovens de hoje em dia não percebem muito a palavra “feminismo”, não ligam muito a essas coisas. Mas sim, eu utilizo as minhas redes sociais. Utilizo tudo o que tenho para mostrar esse lado do feminismo. Esse lado da liberdade de pensamento e de corpo. Eu acho que toda a gente tem oportunidade de ter o à vontade de mostrar aquilo que são. E é isso que eu tento passar sempre nos meus concertos. É dançar que nem uma maluca e fazer com que todo o público se sinta à vontade, se sinta confortável para dançar. Porque hoje as pessoas fecham-se um bocado e ficam com vergonha de serem realmente quem elas são. Eu tento puxar por esse lado.

ComUM: És conhecida por falares sem pudores e abertamente sobre temas tabu. Qual é a reação das pessoas quanto a essa tua faceta?

Blaya: Depende. Há pessoas que gostam. Há pessoas que não gostam. Da parte dos homens, há sempre aquela mente mais fechada. E por uma mulher falar de um tema tão abertamente já são chamadas de ordinárias, chamadas de outras coisas quaisquer. Não estão habituados a pessoas que falem assim tão abertamente destes temas. Também há mulheres que se chocam dessa maneira. Mas, na verdade, eu acho que acabo por influenciar essas pessoas mesmo que elas não queiram. E elas ficam a pensar nisso. E, talvez, apliquem essas coisas em casa não querendo, mas querendo [riso]. Há sempre pessoas que vão gostar. Há sempre pessoas que não vão gostar.

ComUM: Como é ter de gerir o tempo com a família, especialmente com a sua filha, tendo em conta que está sempre em viagem por Portugal?

Blaya: O meu namorado, ele é o nosso “driver”. Então para todo o sítio que nós vamos, eles os dois também vão. Quando eu tenho concerto eles ficam os dois no quarto a minha espera. Por isso, nós conseguimos conciliar bem as coisas.