A prova deste ano fica marcada pela introdução de um jogo entre equipas femininas e pela mudança de recinto.

O Indoor Soccer, em Braga, recebe este sábado a sexta edição do Torneio Moisés Martins. Atuais e antigos alunos da licenciatura em Ciências de Comunicação, bem como professores e funcionários, voltam a encontrar-se para homenagear Moisés Martins, antigo docente do curso.

São oito as formações em prova, mas, nesta edição, as novidades são a introdução de duas equipas femininas e a mudança do local da competição. Antes dos jogos de futebol 5 e do convívio, os capitães fizeram a antevisão, falando das expetativas para a edição de 2019 da prova, que se adivinha histórica. No entanto, o grande objetivo continua a ser homenagear Pedro Romano e Tricky.

A equipa que já há seis anos organiza o torneio, Os Coxos, espera sair vencedora, mesmo “com algumas baixas importantes”. Após uma abordagem diferente no ano anterior, Phillipe Vieira considera que o “pragmatismo” será fundamental para a conquista do troféu por parte dos coxeanos. Enquanto organizadores, esperam manter sempre “a chama do curso acesa”, mesmo tendo terminado o ciclo de estudos há cerca de uma década. Quanto à introdução de duas equipas femininas, o capitão dos anfitriões afirma que “faz todo o sentido” e que já estavam à espera do “sim” há algum tempo.

Primeiro jogo feminino da história do Torneio Moisés Martins

No lado da formação As Coxas, uma filial da equipa organizadora, Margarida Constantino, a capitã, afirma que a tradição se vai manter e que Os Coxos “não ganharão o torneio”, achando que o clube “já se cansa só de comprar e pagar a taça”. A introdução de uma partida feminina “reduz a desigualdade entre sexos”, mas considera depreciativo as jogadoras mais velhas herdarem o nome “As Coxas” e as mais novas se designarem “As Craques”.

Passando a bola à equipa As Craques, Anabela Castro espera que o torneio seja “um momento de partilha e convívio” para descomprimir deste “difícil” ano letivo. O encontro frente ao conjunto As Coxas será “importante e determinante” para, na sua opinião, mostrar que as mulheres merecem mais tempo e oportunidades de jogar nos grandes palcos.

Entre as duas formações, existe o desejo de ganhar o primeiro encontro de sempre na vertente feminina. No entanto, fica o convite por parte d´As Coxas para que a equipa adversária compareça antes para um “lanche com iguarias incomparáveis e irresistíveis”.

Squadra Azzurra procura o ‘tetra’; We Shall See regressa este ano

A Squadra Azzurra, pela voz de Ricardo Abreu, diz estar “tão ou mais ambiciosa do que no primeiro ano”. Do ponto de vista desportivo, quer continuar a “senda do sucesso” e conquistar o tetra, mas o mais importante, segundo o atleta, é desfrutar “ao máximo”, reviver memórias e voltar a estar com ex-colegas. Em relação ao jogo entre “As Coxas” e “As Craques”, Ricardo Abreu acha que a organização “fez bem” em organizar o encontro, ainda para mais porque acompanha a final da Taça de Portugal feminina, entre SL Benfica e Valadares Gaia FC, que se realiza no mesmo dia.

Inês Lopes/ComUM

Os medalha de prata da edição de 2018, os Brácaros, consideram o dia do Torneio Moisés Martins como o mais ansiado do ano. O encontro e o convívio entre pessoas que gostam umas das outras fazem “reinar a retidão, a fraternidade e a ginga bamboleante dentro das quatro linhas”, segundo Nuno Filipe Alpoim. A introdução do jogo entre mulheres “não poderia ficar indiferente à onda feminina que tem cruzado o fenómeno futebolístico”. Os Brácaros até foram a primeira equipa a sofrer um golo de uma participante feminina no torneio, há dois anos, através de Anabela Castro, quando representava os CClianos, demonstrando, no entender do atleta, o “cavalheirismo” do seu clube.

A equipa dos atuais estudantes da licenciatura, os CClianos, foi a terceira classificada no ano passado, mas Tiago Gonçalves reconhece que “será difícil repetir a proeza”. Apesar do pouco “entrosamento” devido ao desfalque do plantel em relação à edição anterior, acredita que são a equipa que “trata melhor a bola e não é só a do microfone”. Aliado à introdução do género feminino, há a possibilidade de a melhor marcadora do Campeonato Nacional BPI, Vanessa Marques, do SC Braga, estar presente no torneio. “Não sabemos se Va(i)nessa, mas espero que apareça ao torneio para mostrar a sua qualidade e que Marque(s) alguns golos”, conclui o atleta dos CClianos.

Os Africans vão tentar melhorar o registo da quinta edição. No entanto, já não levam o torneio tão a sério. “Já estamos naquela idade em que podem dizer que a taça mais valiosa é voltar a jogar todos juntos, mantendo o núcleo da equipa que formamos há mais de 10 anos”, afirma Paulo Paulos. No seu entender, finalmente será possível assistir “a uma versão dos Coxos com talento para o futebol”, no lado feminino.

Por seu turno, João Aguiar, dos Tricky Maniacks, mostra-se satisfeito por voltar a participar no Torneio Moisés Martins, que normalmente é marcado pelo “convívio” e pelo “desportivismo”. Além disso, o capitão não esconde que há “motivação extra” por fazer parte de uma equipa formada em homenagem a um “ex-participante assíduo desta competição, Tricky”.

A Federação Desportiva Psicopito costuma ficar nos últimos lugares do torneio, mas o objetivo deste ano é “passar às meias-finais” e ultrapassar o melhor resultado de sempre – 3º lugar em 2014 -, no qual apenas participaram quatro equipas, o que para João Lobo Monteiro não deixou de ser “meritório”. Sendo o curso maioritariamente frequentado por mulheres, o jogo feminino é um “upgrade” que já se esperava há muito, seguindo os bons resultados do desporto feminino nos últimos tempos.

Após a ausência de um ano, os professores do curso de Ciências da Comunicação voltam com o nome de “We Shall See”. O docente Alberto Sá espera, principalmente, “que ninguém se magoe”, mas, como a prova é mais focada no convívio, a equipa espera estar à altura nesse aspeto. Para o professor, a introdução de um jogo entre mulheres “peca por tardia” e faz justiça ao já referido aglomerado de estudantes do sexo feminino no curso. Se voltam mais fortes ao torneio, Alberto Sá considera que “sim”, pois o ano em que a equipa esteve em estágio foi importante para montar uma “estratégia secreta”.

Quanto à mudança de recinto, do Pavilhão Desportivo da Universidade do Minho para o Indoor Soccer, que faz com que seja um torneio de futebol 5 e não de futsal, houve opiniões muito semelhantes. Quase todos os capitães destacam a mudança de piso, já que no sintético o jogo é mais rápido, mas todos esperam que seja, acima de tudo, um bom espetáculo e um convívio agradável entre as diferentes gerações do curso.