Lisboa apresenta o maior número de alunos favorecidos, já a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego apresenta cerca de 70% dos alunos portadores de apoio do Estado.

Os alunos que pertencem a famílias com menor grau de escolaridade e com menos capacidades a nível financeiro têm dificuldades em aceder aos cursos do Ensino Superior cuja nota de entrada é maior. Estes dados foram revelados pelo estudo Edulog, da Fundação Belmiro e Azevedo, apresentado esta quarta-feira em Matosinhos.

O estudo baseou-se em dois indicadores: as qualificações dos progenitores dos alunos e os apoios sociais que estes recebem do Estado. No fim, os números alertam para o facto de que os alunos cujos pais não chegaram ao Ensino Superior estão mais concentrados nos politécnicos e em cursos cuja nota de entrada é menor. No reverso da medalha, os alunos cujos pais têm um maior grau de escolaridade surgem frequentemente nas universidades, em cursos como Medicina ou ligados às engenharias.

Os números são claros: 73,2% dos estudantes de Medicina do país são filhos de pais que frequentaram o Ensino Superior. Ainda dentro da área da Saúde, é possível perceber que 73% dos alunos de Enfermagem – curso habitualmente lecionado nos politécnicos – são filhos de pais que não possuem uma licenciatura.

Também o indicador dos apoios sociais fornecidos pelo Estado sustenta estes factos, uma vez que os cursos de Medicina são aqueles que possuem o menor número de alunos bolseiros a nível nacional. Se formos mais a fundo, de acordo com os dados fornecidos pelo estudo, é possível constatar que 28,14% dos alunos das universidades são bolseiros. Nos politécnicos, o número sobe consideravelmente: 37,38%.

“Quem não tem possibilidade de ir para um colégio privado ou ter explicações não consegue bater essa dificuldade”, afirma Alberto Amaral, coordenador do conselho científico do Edulog e presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES), em relação ao facto dos alunos mais desfavorecidos não conseguirem atingir notas que permitam aceder aos melhores cursos.

“Dito de um modo um pouco brutal, as classes mais baixas só podem tirar vantagem da expansão [do sistema de ensino] quando as necessidades das classes mais altas estiverem satisfeitas”, acrescentou, em declarações ao jornal Público.

O estudo realizado permite ainda concluir que os alunos mais favorecidos estão mais concentrados em universidades de Lisboa: a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, por exemplo, possui a menor percentagem de bolseiros (7,7%) de todo o país. No outro extremo da tabela, os alunos mais desfavorecidos estão em maior número na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego, onde 68,9% são portadores de apoio do Estado.