O lado obscuro de Hollywood é continuamente desmascarado com acusações de abuso sexual, assédio e/ou prepotência. Apesar disso, A Rainy Day in New York, de Woody Allen, e Once Upon a Time in Hollywood, de Quentin Tarantino, já têm data de lançamento marcada.

Desde o primeiro momento em que foi anunciado que Woody Allen estava a dirigir um filme que conta com Timothée Chalamet, Selena Gomez e Elle Fanning no elenco, muitas foram as pessoas que mostraram interesse em assistir ao filme. É certo as salas de cinema encherem no lançamento do mesmo, mas será correto pagar e ver um filme escrito por alguém acusado de abusar sexualmente da sua filha adotiva?

Como esta, muitas são as questões que se levantam face às denúncias: será que ao ver os filmes destes cineastas estamos a compactuar diretamente com os crimes que alegadamente cometeram? Devemos apenas apoiar os trabalhos prévios às acusações e sabotar os posteriores? Como ‘’somos inocentes até prova contrária’’, é correto continuar a apoiar o artista? Até que ponto podemos apreciar a arte e não o artista ou vice-versa?

Pessoalmente, acredito que arte e artista não são um pack obrigatório, uma dupla inseparável. Desde Pulp Fiction e Reservoir Dogs a Kill Bill e The Hateful Eight, os filmes de Tarantino sempre captaram a minha atenção, sendo grandes pontos de referência pessoais, mas o facto de gostar destes filmes em nada compactua com as acusações que o realizador enfrenta. Repudio o alegado abuso de poder de Quentin Tarantino para com Uma Thurman, aquando das filmagens de Kill Bill, bem como as acusações de assédio sexual, mas também não deixo de considerar o filme uma obra-prima, um exemplo de cinematografia que merece ser partilhado.

O importante é reconhecer que, como a minha, há também outras opiniões. Não considero que haja certo ou errado, pois outrem pode sentir que ao ver estes filmes está a consentir diretamente os alegados crimes. Cada pessoa é livre de escolher uma posição face ao assunto, pois tudo depende do que cada um sente e acredita ser correto. E ‘’o que é correto’’ nunca foi algo universal.

Os filmes são produtos audiovisuais projetados para entreter e cada individuo decide o que influencia esse entretenimento, escolhendo assistir ou não a arte dos acusados.