Em Portugal, o Dia da Criança celebra-se todos os anos a 1 de junho. Qual a melhor forma de comemorar esta data do que com músicas infantis tradicionais portuguesas, um conjunto de obras artísticas que fizeram e ainda fazem parte de diferentes gerações.

Atirei o Pau ao Gato – Apesar da sua construção lírica não ser propriamente a mais educativa, esta é uma música que fez e faz parte do reportório de qualquer criança e representa uma realidade comum a todos os tempos. Ana Mendes Paiva conta a história de um gato que, por não se comportar como o devido, teve o direito a ser afugentado com um pau. A sua projeção vocal teve a capacidade de assustar a Dona Chica, um nome um tanto carinhoso e, acima de tudo, tradicional.

 

Oliveirinha da Serra – O cântico infantil de Amália Rodrigues é continuamente cantarolado por crianças. No entanto, apresenta uma letra mais direcionada para adultos. Conta a capacidade da força da natureza em levar tudo aquilo que já não tem vida e, por tristeza, não levar os indivíduos ao encontro daquilo que mais querem (“Ó i ó aí só a mim ninguém me leva, Ó i ó ai para o pé do meu amor”).

 

Papagaio Loiro – O tema original do Ribatejo apresenta três quadras repletas de rimas. Além de utilizar palavras mais rebuscadas, espelha, novamente, a vontade de que a natureza ajude no funcionamento de um relacionamento. Existe um pedido ao Papagaio Loiro que leve uma carta para o seu amado. Sendo um animal tão exótico e não característico de Portugal confunde os mais velhos. No entanto, muitas das vezes faz-se uma comparação com os periquitos amarelos ou assume-se que o animal provém de uma realidade distante de Portugal onde se encontraria a pessoa amada.

 

A Loja do Mestre André – Esta canção procura estimular a capacidade de memória e de associação entre os instrumentos musicais e os sons que produzem: um pifarito, um pianinho, um tamborzinho, um contrabaixo, um tamborim, uma guitarra, um timbalão, um chocalho e um reco-reco. Todos estes instrumentos criam um instrumental altamente contagiante e alegre.

 

Na Quinta do Tio Manel – Sendo uma adaptação da canção Inglesa “Old McDonald had a farm”, o poema dirigido ao Tio Manel desafia a capacidade dos mais jovens, agora com a temática dos animais da quinta: patinhos, vaquinhas, ovelhas e galinhas.  Numa sociedade em que a grande maioria dos alimentos provém do supermercado, esta composição sonora ensina as crianças de onde os alimentos realmente vêm. Por se tratar de uma canção tão carinhosa, pretende espelhar o tratamento correto que também temos de ter com os animais.

 

Come a Papa, Joana Come a Papa – Corresponde a uma música que aparenta ter sido criada por uma mãe ou um pai cuja paciência para tentar alimentar os filhos estava quase a esgotar-se e, por isso, exigiu alguma criatividade. Apesar de ser dirigida a um nome muito específico, esta faixa é cantarolada em todos os cantos do país, sem receio de substituição do nome próprio. Para além disso, por permitir uma auto e hétero contagem de colheres funciona como um mecanismo de ensinamento dos números cardinais.

 

Eu Vi um Sapo – A canção, da autoria de César Batalha e Lúcia Carvalho, conta a história do avistamento de um sapo feio a comer uma das suas refeições do dia. Apesar de inconscientemente promover a vontade de observar o comportamento desse animal, é uma temática um pouco estranha para uma música infantil. Graças ao ritmo é uma faixa facilmente memorizável.

 

Eu Perdi o Dó da Minha Viola ­­– ­Por sua vez, esta canção permite ensinar às crianças as diferentes notas musicais, abordando-as de um modo muito criativo. Cada nota musical simboliza uma ação – dormir, remar, receber e dar miminho, falar, sonhar, lavar e estar em silêncio. Poderíamos até dizer que corresponde a uma mnemónica gigante. Para além disso, conta com um refrão deveras chamativo e demonstra que todas as atividades referidas anteriormente, doseadas, são uma mais valia.

 

Jardim da Celeste – Aborda os atos amorosos infantis, uma constante tentativa de imitar os mais velhos e aquilo que fazem para agradar a pessoa amada. Sendo assim, conta a história de um jovem que foi ao Jardim da Celeste buscar uma flor para dar a quem mais gosta. A doçura desta realidade é transcrita na suavidade do instrumental utilizado.

 

Doidas Andam as Galinhas – Por último, como o próprio título da canção indica,  esta explora o tumulto, a confusão em torno de “pôr o ovo”. Mais uma vez, através de um ritmo divertido consegue explicar aos mais jovens todo o processo em volta do nascimento de um pintainho. Para além disso, de um modo disfarçado, explora o orgulho em se ser pai – “Arrebita a crista o galo vaidoso”.