Grupo de especialistas europeus desenvolveu uma carta de princípios para a igualdade de género no ensino superior.

O documento , que vai ser apresentado na próxima segunda-feira, foi desenvolvido por um grupo de especialistas europeus de onde se destacam investigadores do ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa). Todas as instituições de ensino superior estão convidadas a assiná-la, tendo sido apadrinhado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e pela Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro

O principal foco desta investigação foi a defesa de mais mulheres nas chefias das universidades, melhorando o “equilíbrio de género a todos os níveis da carreira académica, da governação das instituições e das posições de tomada de decisão”. No entanto, os autores da carta acreditam que “a probabilidade de aceder a posições de topo na carreira de investigação e na universidade permanece superior entre os homens”.

Assinar o documento “significa apoiar a mudança estrutural, cultural e política no sentido da erradicação do sexismo, do preconceito e outras formas de discriminação na investigação”, consta o prefácio. No total, são 12 princípios que esta carta inclui, salientando a necessidade de igualdade de género nos painéis de avaliação de bolsas e projectos de investigação. Consta, também, o objetivo de eliminar o assédio sexual e moral nas instituições.

Dados, adiantados pelo Público, mostram que as mulheres ocupam menos de um terço dos lugares de direção nas instituições de ensino superior. Atualmente, apenas três mulheres dirigem universidades públicas em Portugal: Ana Costa Freitas, na Universidade de Évora, Maria de Lurdes Rodrigues, no ISCTE e Maria José Fernandes no Politécnico do Cávado e do Ave.

Lígia Amâncio, investigadora do ISCTE, afirma que “os lugares que as mulheres ocupam nas carreiras académicas e nos cargos de decisão estão longe de corresponder às suas qualificações”. Apesar de ser um projeto europeu, em Portugal a realidade é mais “gritante” uma vez que as qualificações das mulheres melhoraram de uma forma “espectacular”.

Para a investigadora, “um dos problemas que dificulta uma resposta a esta questão é o facto de não existirem promoções”, devido a políticas de austeridade na função pública e o corte do financiamento no ensino superior, resultando numa estagnação deste setor. “Quando existem possibilidades de promoções, os homens são favorecidos”, menciona Lígia Amâncio.