Numa performance a três, o músico Manuel de Oliveira protagonizou o grupo, fazendo da sua guitarra o instrumento guia do espetáculo.

No passado sábado à noite, o Theatro Circo foi palco para a atuação do guitarrista e compositor Manuel de Oliveira, tendo como intuito apresentar reportório e o trabalho do artista, na arte da composição musical. Silêncio, serenidade e olhares fixos no palco foram aspetos que espelharam, de princípio a fim, o ambiente vivido. Dedilhados, percussões, sopros e cordas foram os elementos sonoros que proporcionaram à cidade bracarense uma noite recheada de musicalidade e harmonia.

O espetáculo teve início marcado com a apresentação de Manuel de Oliveira, que se seguiu com a atuação a solo do artista. Foram necessários poucos minutos para o músico fazer soar os primeiros acordes, originando as melodias que percorreram todas as partes da sala de espetáculos. Dedilhados, acordes pensados e cordas soltas foram as várias maneiras usadas por Manuel de Oliveira para fazer chegar ao público a sua musicalidade dinâmica, mostrando o que é capaz de fazer com apenas uma guitarra em mãos. Com a atenção presa ao que se passava à sua frente, a plateia seguiu os movimentos das mãos do artista, ao mesmo tempo que não controlava a tendência do corpo para se mexer ao som dos vários ritmos.

A atuação do artista prosseguiu com a participação de Sandra Martins e Rão Kyao, dois músicos convidados que partilharam o palco com Manuel de Oliveira, fazendo-se acompanhar de um violoncelo e de uma flauta de bambu, respetivamente. A sinfonia conjunta dos três instrumentos, juntamente com as batidas improvisadas por Manuel de Oliveira, gerou uma atmosfera harmoniosa que contribuiu para um maior interesse por parte do público bracarense. Os músicos, revelando boa disposição e cumplicidade entre si, conseguiram atribuir à performance um toque animador e divertido. Esta característica permitiu uma maior abertura e interação com a plateia, como também preencher todos silêncios existentes na sala.

Entre vários aplausos entre os intervalos de cada tema tocado, o guitarrista despede-se dos bracarenses com a música “Venham Mais Cinco”, de maneira a prestar homenagem a Zeca Afonso e, como o próprio refere, ao seu pai. Após várias palmas do público a acompanhar a melodia, os músicos terminaram a atuação, encarando uma plateia em pé, com muitos aplausos e caras satisfeitas.