Atualmente não se fala em Madonna sem se pensar em “Like A Virgin”. O hit, lançado em 1984, deu nome ao seu segundo álbum. O ícone Pop viu neste projeto o início de uma era que dura até aos dias de hoje.

A dar início ao conjunto de nove faixas surge “Material Girl”. É uma das mais conhecidas da cantora e uma das que a tornou num ícone. O videoclipe é inspirado na atuação de Marilyn Monroe da música “Diamonds Are A Girl’s Best Friend” no filme Gentlemen Prefer Blondes.

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Aquando do lançamento do single, Madonna confessou que “Material Girl” não transparece a sua verdadeira personalidade, apesar de reconhecer que é normal sentir atração por pessoas que tenham uma boa carreira e sejam ambiciosas. Mostra ainda que não se deixa levar pelo mundo materialista e pelas más intenções, lutando pelos seus desejos.

A próxima faixa apresenta o estilo típico do Eletropop dos anos 80. “Angel”, segundo a cantora, conta a história de uma rapariga que foi salva por um anjo, acabando por se apaixonar. Os temas sobre situações fora da normalidade eram, nesta altura, recorrentes.

A terceira música, como já foi referido, dá o nome ao álbum. “Like a Virgin” é um dos temas que mais marcou a carreira de Madonna, e através da qual é muitas vezes reconhecida. O título pode adquirir vários significados, mas o mais geral ­é a sensação de voltar a amar após uma má relação e experiência, como se nunca tivesse amado antes. É uma faixa que se diferencia pela excentricidade da letra e do ritmo animado.

Over And Over” dá continuidade à vertente bastante animada que caracteriza todo o projecto. Fala sobre a persistência e a resiliência necessárias para ter sucesso. No fundo, as nossas ações são o que nos definem, então, a artista mostra que é bem-sucedida e destemida por nunca desistir, e resistir às críticas. Admite que não perde tempo com coisas que não são importantes, pois só pensa em chegar ao objetivo final.

A próxima música dá bom destaque à capacidade vocal e revela a versatilidade da artista ao interpretar, dentro do mesmo álbum, temas mais ritmados e baladas. A mágoa e angústia de uma separação transparece através da sua voz. É transmitida a ideia de vazio no seu estado de espírito, daí o título ser “Love Don’t Live Here Anymore”, ou seja, o amor já não “vive” aqui – na relação em questão.

Em oposição à anterior, “Dress You Up” tem como tema o desejo sexual, mas de uma forma metafórica, relacionando o ato de vestir com os atos íntimos. Aproximando-se do fim torna-se um pouco repetitiva, por isso parece o tipo de música que se ouvia nos bares dos anos 80, que não adquiriam grandes alterações no ritmo e letra.

Perto do fim surge “Shoo-Bee-Doo”. A faixa é uma homenagem ao hit de 1968 de Stevie Wonder, “Shoo-Be-Doo-Be-Doo-Da-Day”. Em semelhança ao estilo de Wonder, este tema apresenta um ritmo relaxante, que confere ao amor uma ideia mais divertida e descomplicada.

A seguinte música não se destaca de entre as outras. “Pretender” conta a história de um homem que brinca com os sentimentos das mulheres. Com isto, Madonna ganha confiança e passa a brincar com os dele. Não favorece a sua voz e o conteúdo lírico é um pouco fraco.

Stay” é o oposto da anterior. Fala sobre um amor intenso que está sempre no pensamento da artista. No entanto, passaram por discussões, então surge a súplica para que continuem juntos, pois a dor da separação seria insuportável. Espera conseguir trazer o amor de volta para a relação.

Numa perspectiva geral, Like a Virgin é um bom projeto e um pouco vanguardista em relação ao estilo ouvido nos anos 80. A verdade é que, apesar de Madonna ainda produzir música nova, ainda há quem a reconheça por várias músicas integradas neste álbum, que definitivamente marcou a forma como é vista actualmente.