Potente, encantador e distinto são algumas das características que permitem explicar o enredo sonoro que se encontra presente em Superunknown, quarto álbum de estúdio da banda norte-americana. Encaixado nas vertentes do Grunge, o álbum reflete não só a alma de Soundgarden, como também revela uma evolução musical.

É impossível falar da banda sem se fazer uma associação direta ao Grunge, no entanto, com a chegada de Superunknown, essa ligação tornou-se ainda mais vincada. Lançado em 1994, este é capaz de ser considerado o melhor álbum da banda. É possível assistir-se a uma amplificação da abordagem criativa do grupo, que serviu de grande inspiração para os álbuns posteriores. Para além da inovação e rigor nas técnicas, como percussões pensadas e riffs mais sofisticados, a chave de ouro do álbum é a interpretação feita por Chris Cornell ao longo de cada música. Certamente foi aqui que a voz de Cornell começou a ser mais apreciada e, de certa forma, a tornar-se inconfundível.

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Composto por 15 faixas, o quarto disco da banda leva-nos a uma viagem entre os mundos da nostalgia, depressão, suicídio e abusos. A pesada carga lírica faz-se acompanhar por ritmos acelerados e fortes, dotados de melodias que deixam à superfície algum sofrimento mas também a sensação de vontade de superação de quem as toca e canta.

Black Hole Sun” é uma das músicas de maior destaque de todo o álbum. Ao ouvi-la, torna-se clara a ideia de que os Soundgarden fizeram um excelente trabalho em romper a fronteira do clássico Grunge e expandir o horizonte a nível técnico e estilístico. A música faz-se com três variações de compassos diferentes, o que lhe confere a dinâmica precisa para ser satisfatória ouvi-la até ao fim. Retrata a nostalgia da infância que já foi e não regressa mais (“And my youth I pray to keep / Heaven send Hell away”).

Spoonman” também é uma faixa relevante em Superunknown. Marcada por ritmos frenéticos e pausas esporádicas que são suportadas por back vocals, a música ganha brilho com as capacidades vocais de Chris Cornell. As batidas e riffs energéticos abrem caminho para um disparo sonoro irrepreensível. O refrão, facilmente memorizável pela repetição dos versos “Spoonman, come together with your hands / Save me, on together with your plan”, torna a música característica.

Outras faixas dignas de serem mencionadas são “Limo Wreck”, “The Day I Tried to Live” e “Like Suicide”. Relativamente à primeira, é uma boa candidata para melhor música do álbum. Devido ao registo mais calmo e pacífico que apresenta serve de escapatória de todo o turbilhão geral de Superunknown. A letra sobressai pela simplicidade e, em simultâneo, pela mensagem que traz consigo (“And the wreck of you / Is the death of you all”).

No que toca à “The Day I Tried to Live” a essência da música está nos riffs, mudanças rítmicas e de dinâmica, no baixo marcante e no vocal agressivo que envolve aqueles que a ouvem. Por fim, “Like Suicide” representa bem o lado negro do disco, tendo em conta a onda sonora pesada com que soa. A letra também faz juz a esta escuridão. (“With eyes of blood and bitter blue / How I feel for you”).

Em termos gerais, Superunknown é visto como um álbum que veio para ficar e, principalmente, para revolucionar as conceções clássicas do Grunge. Não será erro afirmar que este disco ganhou o estatuto de obra-prima da banda, servindo de exemplo a seguir para todas as produções musicais que se seguiram. São as composições mais pensadas que tornam o álbum rico, coeso e versátil.

Cercado de intemporalidade, Superunknown vai ser sempre visto como um marco importante na história do Grunge, da mesma maneira que Soundgarden serão recordados como os reais pioneiros do mesmo.