18 de setembro de 2019 marca o 40º aniversário do artista português Samuel Úria. Oriundo de Tondela, do distrito de Viseu, Úria é conhecido como um dos mais influentes e importantes compositores da atualidade.

Com origem marcada pelo Punk, pelo Fado, pelo Rock’n’Roll e pela estética do Low-Fi, tem ganho notoriedade desde 2008, altura em que, entre edições caseiras e concertos, apenas se acompanhava pela guitarra e pela língua materna. As melodias e a relação com o público aos poucos geraram um culto de apreciação e a expectativa de que algo maior viria de Samuel Úria. E assim aconteceu, o artista é hoje consagrado como um dos mais interessantes cantores portugueses do século XXI.

Samuel Úria é líder dos Samuel Úria & As Velhas Glórias. No entanto, a sua fama só cresceu nos últimos anos pelos seus trabalhos a solo: Carga de Ombro – em 2016, aclamada por críticos – e Grande Medo do Pequeno Mundo – um disco que foi imediatamente acolhido pela crítica e pelo público. O artista é também membro do movimento FlorCaveira, uma editora discográfica independente portuguesa. Desde 2013, é um dos rostos e vozes do coletivo XNC, com Tiago Guilul, Alex D’Alva Teixeira, Martim Torres e outros.

Em 2009, Samuel escreveu e gravou, num só dia, um disco inteiro em sua casa. A composição e registo das músicas foram filmadas e transmitidas em direto pela internet, enquanto os espectadores forneciam sugestões por e-mail. O resultado foi o disco A Descondecoração de Samuel Úria, lançado um ano depois.

No ano passado, Samuel lançou um novo projeto, o EP Marcha Atroz. Os temas explosivos convidam o público a embarcar numa viagem pela mente criativa do artista. Novos significados são desbloqueados e o comum ouvinte desperta para interpretações sem limites.

Para além dos registos discográficos, a identidade de Samuel Úria está ainda vincada nos seus concertos. Ora caracterizados pela intimidade com o público – quando se vê desacompanhado – ora pela explosividade – quando traz a banda “ao ombro” – aborrecimento não faz parte da equação do artista. Samuel Úria apresenta-se com a sua banda, autênticos cúmplices de cada palavra ou acorde, ou a solo, cara a cara, palavra a palavra com o público.

Úria participou na longa-metragem O Que Há De Novo No Amor?. Representa-se a si próprio, a dar um concerto onde toca duas canções de sua autoria: “Barbarella e Barba Rala” e “Não Arrastes o Meu Caixão”. Ingressou, igualmente, numa publicidade da NOS onde faz um breve dueto com a cantora Ana Bacalhau, voz do grupo Deolinda.

É de salientar, também, que a influência de Samuel se propaga para a música de outros artistas, como vemos pela referência na música “Perdido na Variante” de Conjunto Corona. A menção é feita no verso “Faço entradas mais potentes que o Samuel Úria” que se refere, metaforicamente, à maneira como Úria escreve de forma sentimental e intensa, tirando sempre o máximo proveito e explorando de forma extraordinária as palavras portuguesas. Tal caraterística valeu-lhe, em 2014 com o tema “Lenço Enxuto”, a conquista do prémio de Melhor Canção da Sociedade Portuguesa de Autores.

Além de representar um fenómeno da música alternativa, Úria escreve letras para outros grandes artistas nacionais. Ana Moura, António Zambujo e os Clã são alguns dos exemplos possíveis.

Samuel Úria é o mais destacado cantautor da sua geração. Não só pelas suas letras, mas sobretudo pela música que compõe, marcada por uma riqueza melódica e variedade vocal e coral incomuns. Não há sombra de dúvida que o que ele faz com a música faz bem. Numa entrevista à Antena 3, o artista expõe a sua conexão com aquilo que mais gosta de fazer, música – “Tenho uma relação demasiado apaixonada com a música para achar que podia ser uma profissão”.