O Museu Pio XII recebeu a cerimónia de homenagem com apresentação da obra.

Foi “entre pedaços de céu e a beleza do mundo” que o pintor Abel Mendes foi homenageado no Museu Pio XII, no serão desta sexta-feira, dia 18, com a apresentação do livro que compila memórias de pai (Abel Mendes) e filho (Rui Mendes).

O livro “Abel (Pai) e Rui Mendes – Entre Pedaços de Céu e a Beleza do Mundo” olha para o a Idade Média tardia de uma forma muito valorizadora, recuperando técnicas e vertentes artísticas, como por exemplo a recorrente de representação da natureza morta. A também chamada natureza quieta surge no século XVIII em Toledo, remetendo para a ideia de que tudo é efémero, incluindo os seres humanos, mas também tendo sempre presente a ideia de que o prazer do autor procura corresponder sempre ao deleito do leitor.

O Cónego José Paulo Leite de Abreu foi o grande entusiasta de todo o processo criativo e foi quem segurou as pontas sempre que algo não corria como planeado. A dedicação terá sido uma das razões que justificou o grande agradecimento, por parte da família Mendes, ao oferecer-lhe um quadro do monumento da Sé.

Marcaram presença, também, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Lídia Dias, e a sobrinha de Rui Mendes, Dalila Mendes, diretora do Mosteiro dos Jerónimos, que relatou e elogiou todo o trabalho, dedicação e integridade do tio.

“Vivemos no estigma da criatividade, tudo tem de ser uma descoberta permanente”, dizia Dalila Mendes. No entanto, copiar os grandes mestres e citá-los é de grande mérito e louvor, pois “foi assim que se fizeram Leonardos da Vinci”. Assim, esta obra celebra outros mestres, como José Malhoa, que foram inspirações para Abel e Rui.

Rui herdou do pai o fascínio pela contemplação da beleza do universo e conexão total com as obras. Abel sentia necessidade de pintar locais que nunca tinha visto, fazendo-o várias vezes através de postais. Para além do pai, a esposa de Rui Mendes foi e é um dos grandes pilares na sua vida, tendo sido ela a ler o discurso de agradecimento aos presentes.

No momento de entrega do quadro ao Cónego José Paulo, este enfatizou que o propósito deste livro não é explicar obras, mas sim recolher o maior número de obras possível “para que a sua memória não se perca, já que a sua obra permanece”.