Celebra-se, esta quarta-feira, dia 9 de outubro, o aniversário de um dos mais aclamados realizadores de cinema. Aos 55 anos, Guillermo del Toro conta com dois Óscares da Academia, um Globo de Ouro, dois prémios BAFTA, um leão de ouro, entre outros prémios, fruto do seu desempenho enquanto diretor.

Criado pela avó em Guadalajara, México, Del Toro desenvolveu cedo uma paixão pelo cinema. A sua educação cristã e particular interesse por histórias de horror e fantasia vieram influenciar os seus trabalhos. É hoje conhecido pelos filmes perversos, mas inteligentes, e de grande complexidade emocional.

Ainda no secundário, começou a produzir curtas-metragens e, mais tarde, o seu conhecimento aumentou quando estudou cinema, na Universidade de Guadalajara. Contudo, o seu primeiro trabalho dentro do universo cinematográfico foi como maquilhador de efeitos especiais, uma arte que aprendera com o lendário caracterizador de cinema, Dick Smith. Nos anos 80, Guillermo del Toro criou a sua própria empresa de efeitos especiais, Necropia, direcionada para o mercado cinematográfico mexicano.

Guillermo del Toro em Hellboy

Um dos seus primeiros grandes trabalhos como realizador foi na série televisiva Hora Marcada, onde escreveu e dirigiu vários episódios. Mas a sua grande estreia no mundo do cinema aconteceu com o filme Cronos, em 1993. O filme deu a conhecer Del Toro, que se sagrou, então, vencedor de nove prémios da Academia de Cinema do México e do Grande Prémio da Semana da Crítica, do Festival de Cannes.

Depois da grande estreia, o realizador variou no trabalho. Viajou muito entre produções americanas e espanholas, como aconteceu com o filme Mimic: Predadores de Nova Iorque (1997) e Nas Costas do Diabo (2001).

Guillermo del Toro mantém uma grande coleção de filmes e livros de banda desenhada que, inclusive, o obrigaram a mudar de casa, por falta de espaço. Ainda ligado ao universo do terror, Del Toro trabalhou em adaptações de banda desenhada, uma das suas paixões, nos filmes Bladell e Hellboy. Confessa preferir as adaptações aos tradicionais filmes de heróis, uma vez que o seu verdadeiro amor são os monstros.

Em 2006, o realizador voltou a Espanha, num momento pós-guerra civil. Trabalhou, então, no filme O Labirinto do Fauno, que conta a história de uma menina obrigada a viver com um padrasto fascista. O trabalho foi de tal forma um sucesso que arrecadou mais de 80 milhões de dólares, venceu vários prémios e tornou-se um sucesso, inclusivamente, nos Estados Unidos da América.

Guillermo del Toro em Batalha do Pacífico

O nome de Del Toro vem ainda associado a outros fenómenos cinematográficos, como O Hobbit (2012-2014), Batalha do Pacífico (2013), Crimson Peak: A Colina Vermelha (2015) e A Forma da Água (2017). O último tornou-se um dos trabalhos de assinatura da sua carreira.

A Forma da Água conquistou o prémio máximo no Festival de Veneza e liderou o grupo com sete indicações ao Globo de Ouro do ano, com uma vitória para Del Toro na categoria de Melhor Diretor. O discurso do realizador ganhou grande notoriedade, já que aproveitou para consciencializar para a importância do cinema enquanto arte que não vê raça ou nacionalidade, referindo que ele mesmo era um imigrante.

Atualmente, continua o trabalho como realizador e ainda não perdeu o amor pelo macabro e a ficção.  Em 2018, anunciou uma exposição titulada At Home with Monsters, que conta com uma série de pinturas, esculturas e peças dos seus filmes, assim como peças realmente únicas, como um lobisomem de peluche que fez quando tinha sete anos. A sua família tem uma relação de amor-ódio quanto à sua coleção, demasiado assustadora para a filha mais nova.

Em abril de 2018 iniciou uma parceria com a Fox Searchlight Pictures, que irá financiar e distribuir todas as produções live-action do realizador. Guillermo del Toro afirma que, na Fox Searchlight, encontrou uma verdadeira casa.

Guillermo del Toro em A Forma da Água