No dia 10 de Julho estreou um thriller de verão do diretor Alexandre Aja, Rastejantes. Um dos produtores do filme é Sam Raimi, diretor da trilogia original do Spider-Man. O trabalho está bem conseguido, especialmente devido à boa “atuação” dos crocodilos.

O filme apresenta-nos Hayley Kenner, uma aspirante nadadora que depende de uma boa prestação para manter a bolsa de estudos da universidade. Para além disto, conhecemos os seus dramas familiares. Hayley é filha de pais divorciados, mas a mãe conseguiu seguir em frente com a sua vida, ao contrário do pai, que ficou acorrentado aos fantasmas do passado.

Rastejantes

Até este momento parece uma premissa bastante interessante. A protagonista é obrigada a deslocar-se até a casa do pai, uma vez que um furacão se descolava para lá e a irmã, Beth, lhe tinha informado que o pai não atendia os telefonemas. E é no momento em que a jovem encontra o pai na cave que toda a narrativa construída até esse instante perde importância.

Toda a história se torna superficial e quase desnecessária assim que o primeiro crocodilo aparece no ecrã. Exatamente, crocodilos. O furacão causou uma inundação que fez com que os crocodilos que habitavam num lago perto da urbanização pudessem avançar livremente.

Graças a este novo fator, a emoção de Rastejantes passa para segundo plano e a sobrevivência ganha o protagonismo. O resto do filme conseguiria ser bom e consistente sem a narrativa, já que a mesma acaba por influenciar de maneira leviana e quase inexistente.

Rastejantes

No que concerne aos crocodilos, embora o reduzido orçamento, a equipa técnica não desapontou, apresentando as temíveis bestas de forma bastante realista e credível. E, já que são o perigo e as antagonistas do filme, mereciam ser retratadas da forma mais natural e verdadeira possível para provocar no público a preocupação e o medo, uma vez que o fator surpresa era um pouco previsível.

É ainda de realçar a prestação da atriz Kaya Scodelario. A protagonista, mesmo tendo um guião um pouco genérico de falas previsíveis, conseguiu passar para o espectador o medo e, ao mesmo tempo, a tomada de uma atitude de sobrevivência que lhe permitia enfrentar os grandes répteis. Este pragmatismo, ainda que com o pavor presente, que a atriz conseguiu dar à personagem é, realmente, o maior destaque da representação do trabalho.

Em suma, Rastejantes é um thriller agradável, que não é muito dependente da sua narrativa. É ótimo para assistir quando nos apetece ver um filme, mas não sabemos qual.