Numa simbiose perfeita entre a música clássica e chinesa, o concerto maravilhou o público presente.

O Altice Forum Braga deu casa neste domingo, dia 10 de novembro, ao Concerto de Outono da Orquestra Filarmónica de Braga (OFB). O evento contou com a especial presença do maestro chinês Zhang Guoyong.

Tendo em conta o percurso do maestro convidado, natural de Xangai e com passagem formativa pela Rússia, o repertório interpretado não poderia deixar de conter temas de autores russos e chineses. Para começar, ouviram-se duas composições de Tchaikovsky, “Ouverture 1812” e a bem conhecida “Valsa das Flores”.

De seguida, foram interpretados mais dois temas, desta vez de Shostakovich: “Festive Ouverture” e a também célebre “The Second Waltz”. Por fim, ainda dentro do programa oficial, foi possível ouvir “Finlândia”, do compositor finlandês Sibelius, e “Pomp and Circunstance March”, do inglês Edward Elgar.

Depois dos clássicos ocidentais, vieram as surpresas do outro lado do mundo. A plateia pôde disfrutar, assim, de temas como “Torch Festival”, da autoria de Wang Xilin, “Flower and Moon”, de Yan Hua, “Step Up”, uma composição tradicional da região chinesa de Guangdong, e ainda “My Country”, um tema da banda sonora de um filme daquele país.

No final, foi o momento de o maestro dirigir aos presentes algumas palavras. Mostrou o agrado pela considerável audiência num concerto de música clássica e congratulou a orquestra pela árdua tarefa de interpretar música chinesa, bem diferente da que culturalmente está habituada. Após o discurso, houve ainda tempo para dois encores, ambos aplaudidos de pé: “Beautiful Evening”, arranjo de um tema tradicional chinês, e “Good News From Beijing”, um tema que o maestro afirmou ser bastante popular no seu país.

Em declarações ao ComUM, Filipe Cunha, maestro que tem a seu cargo a direção musical da OFB, afirmou que a participação do maestro chinês neste Concerto de Outono surgiu como um “intercâmbio” motivado pela digressão que a orquestra de Braga fará na China, entre os dias 26 de dezembro e 7 de janeiro do próximo ano.

Sendo a primeira vez que uma orquestra portuguesa atua em digressão naquele país, o maestro bracarense sublinhou que o convite é o “reconhecimento internacional ao valor da própria orquestra” e mostrou-se confiante de que, depois da exibição da OFB, haverá “mais convites para orquestras portuguesas irem à China, naturalmente”.