Guilherme Geirinhas levou a plateia bracarense às nuvens com uma viagem por episódios engraçados da vida e com uma mensagem sobre doenças de foro mental.

O Espaço Vita recebeu, esta sexta-feira à noite, dia 22, Guilherme Geirinhas. O humorista está a percorrer o país em nome do seu primeiro solo de Stand Up Comedy, Modo Voo.

Sons de cabine, luzes a piscar e o barulho da descolagem de um avião foram a paisagem esculpida por Guilherme Geirinhas para entrar em palco. Iniciou a atuação ao explicar que, onde quer que vá, se fascina sempre com a simpatia das pessoas. Numa ida à Fnac, a senhora que o atendeu questionou-o se a fatura ia ficar no nome de Guilherme Geirinhas. Achou estar perante uma fã. “O seu nome está no cartão Fnac”, respondeu a mulher da caixa.

A vida trocou-lhe as voltas e ser humorista não estava nos planos. Um percurso atribulado de quem entrou, ao mesmo tempo, em Medicina e Economia. Admitiu que o seu trabalho não tem o devido respeito e não percebe as abordagens das pessoas na rua quando lhe pedem para contar uma piada. “Quando me cruzo na rua com um dentista também não lhe digo: puto arranca-me aí um dente!”, justificou.

“Se a volta a Espanha em bicicleta tem (e)tapas, a volta a França não devia ter (e)croissants?”, brincou o humorista. Exibindo uma série de piadas curtas, Guilherme Geirinhas encheu a sala de risos. “Será que na Zara do Porto as t-shirts em vez de terem decote em V têm decote em B?”, continuou.

O público foi convidado a subir a palco e, após alguma timidez, subiu um espectador que, pelo seu à vontade, roubou, por instantes, os holofotes a Geirinhas. Descalços, recriaram uma cena de Morangos com Açúcar, enquanto ecoavam gargalhadas pela sala.

As doenças mentais não são um tema indiferente a Guilherme Geirinhas. Aos 12 anos foi diagnosticado com transtorno de ansiedade que, pelo seu caráter competitivo, passou, mais tarde, para síndrome de pânico. “A ansiedade é uma espécie de frigorífico que vai conservando os nossos medos e cada um tem o seu frigorífico. A vida, ao longo do tempo, vai-se encarregando de colar no nosso frigorífico alguns ímanes”. O do humorista já tem alguns, tal como o da hipocondria, do transtorno obsessivo-compulsivo e da claustrofobia.

“Quando aceitamos o que temos, as coisas suavizam drasticamente”, confessou, acrescentando que faz terapia. A escrita é a sua principal ajuda e faz questão de escrever num diário tudo o que sente, desde receios até à presença nas redes sociais. “Online pareço seguro, mas fica a verdade aqui no meu show: tenho muito medo de falhar quando estou em modo voo”. Uma imagem sobre aquilo que bate à porta sem pedir licença para entrar foi o mote para desembarcar desta viagem envolvente, tendo sido aplaudido comoventemente.