O Rei é um filme de David Michôd inspirado nas peças de Henriad, de William Shakespeare. A longa-metragem conta a história verídica da sucessão de Henry V de Inglaterra, após a morte de seu pai. Apesar da fantástica performance do ator Timothée Chalamet, a obra acaba por ser um pouco monótona.

O jovem Henry V, também tratado por Hal, vive uma vida boémia e distante da coroa. Tudo porque não aprova a forma impiedosa de governar do pai, Henry IV. Quando o rei morre, o jovem fica com a sucessão do trono e torna-se rei de Inglaterra. A suposta tentativa de morte do novo rei, por parte da coroa francesa, leva a um confronto entre os dois reinados. Ao longo do filme, Hal vai aprendendo a governar, bem como em quem deve ou não confiar.

O Rei

O protagonista declara querer ser um rei bastante diferente do que o pai fora. Para o jovem, o ódio, a vingança e a guerra não são a resposta instantânea a tudo. Durante O Rei, podemos ver o homem debater-se com as suas incertezas e a preocupação em tomar decisões acertadas, pelo bem comum. No entanto, essa missão vai encontrar alguns obstáculos.

Apesar de tudo, as cenas do filme não têm a intensidade e o drama necessário para fazer avançar a história, o que acaba por causar monotonia. As lutas, apesar das boas coreografias, não transmitem a agitação e a força que se procura. O silêncio ocupa, nesta obra, um grande espaço. Ainda que este vazio possa ser bem utilizado em algumas partes para dar a emoção que a cena precisa e agarrar a atenção do espectador, noutras situações já não acontece o mesmo. Por exemplo, nos combates um-a-um, o silêncio acaba por se tornar um pouco inquietante, por não ser aproveitada a emoção que os movimentos transmitem.

O Rei

Timothée Chalamet (Henry V) é a grande estrela a nível performativo. O jovem ator consegue incorporar e transmitir a intensidade e o poder necessário nos seus diálogos, especialmente no discurso pré-confronto contra os soldados franceses. Já Robert Pattinson, que interpreta o Delfim de França e opositor de Hal, traz de forma eficaz o lado cómico e perverso à história. O que não convence muito são as tentativas de sotaque britânico e francês, de Chalamet e Pattinson, respetivamente. Estes parecem, em algumas partes, muito forçados e artificiais.

Os cenários e a caracterização, a nível do guarda-roupa e maquilhagem, foram muito bem pensados e escolhidos. Conferem realismo ao tempo e ao espaço onde ocorrem as ações. Na fotografia e cinematografia salienta-se a correta utilização de tons frios, que concedem ao filme a tonalidade séria e pesada que a narrativa carrega.

Embora O Rei possa tornar-se um pouco monótono, devido ao ritmo lento em que a história avança, as representações dos dois protagonistas conseguem enriquecer o filme. Para além disso, é interessante ver a jornada deste rei, que nunca desejou esse cargo, bem como a forma como caminha pelo desafio.