Um cenário, uma personagem, nenhuma palavra. Nunca o silêncio comunicou tanto como na representação de “The lonely tasks”.

Foi na passada sexta-feira, dia 29 de novembro, que, no Theatro do Circo, se experienciou outra peça do projeto “Palcos Instáveis”. Através do silêncio, “The Lonely Tasks” propôs-se a abordar vários temas sem emitir uma única palavra.

Desde o começo do espetáculo que era percetível que se iria presenciar algo diferente. A audiência foi convidada a sentar-se no auditório a partir da audição de uma música francesa. De seguida, a ação iniciou-se com a entrada da atriz, que se encontrava em casa, um local organizado e dominado pela cor branca.

Progressivamente, o local tornou-se mais anárquico e as cenas mais íntimas. Em palco surgiram temas como o prazer sexual e as dietas, onde a figurante demonstrava uma tentativa de resistir aos impulsos, mas aos quais acabava por ceder.

Neste número constatou-se um tipo de comunicação mais invulgar no teatro, no sentido em que não foi projetada nenhuma palavra. Verificou-se a emancipação dos movimentos, sonidos e expressões faciais. Deste modo, os espectadores não eram capazes de desviar o olhar do palco, cativados pela sincronização entre o que estavam a observar e a ouvir.

No fim, a comida e bebida utilizadas na peça foram disponibilizadas à audiência, assim como a oportunidade de fazer qualquer questão à protagonista.

De destacar é o facto de, durante toda a apresentação, não ter sido mencionado o nome da personagem principal, informação irrelevante, pois era evidente que o foco estava em fornecer essa função ao público. Uma observadora comentou achar que “se tratava duma representação da solidão e daquilo que todos nós fazemos em casa, mas não assumimos”.

Concluiu-se, depois da conversa entre a performer e o público, que este projeto privilegia cenas arriscadas, não em termos físicos, mas sim noutros âmbitos. Esta escolha fornece um cariz de singularidade ao espetáculo.