Um Dia de Chuva em Nova Iorque é o último filme de Woody Allen. Na comédia dramática, que estreou nos cinemas portugueses a 24 de outubro, estrelam Thimothée Chalamet e Elle Fanning. Contudo, nem a participação destes atores (dos mais sonantes da sua geração) faz com que o filme fique perto do genial.

A longa-metragem do cineasta norte-americano dá-nos a conhecer, inicialmente, dois jovens. Gatsby Wells (ThimotéeChalamet) é um jovem universitário proveniente de uma família nova-iorquina rica. O jovem frequenta o Yardley College, bem como a sua namorada Ashleigh (Elle Fanning), que preserva uma inocência esquisita, mesmo na pós-adolescência.

Um Dia de Chuva em Nova Iorque

A rapariga consegue uma entrevista com Roland Pollard (um conhecido realizador) para um trabalho da faculdade. No entanto, para isso terá de ir para Nova York. Gatsby vê, portanto, nesta situação, um bom pretexto para dar a conhecer Manhattan à namorada, e planeia uma série de atividades românticas. Porém, o trabalho de Ashleigh coloca entraves constantes aos planos em casal, e uma das suas não-idas promove ao rapaz um encontro com uma rapariga da sua infância, Shannon (Selena Gomez).

Um Dia de Chuva em Nova Iorque tem um género que, à partida, já me é difícil de apreciar. Não posso, no entanto, dizer que seja mais do mesmo dentro das comédias de adolescentes. Está isenta das situações que provocam vergonha alheia, tão habituais no género, e as piadas são construídas com classe.

Um Dia de Chuva em Nova Iorque

As personagens são, a meu ver, um pouco estranhas. Dá a entender que Woody Allen não conhece bem a camada mais jovem dos dias de hoje. Apesar de se notar um desenvolvimento psicológico das personagens ao longo do filme, e sem que soe desconexo, estas não são das mais bem construídas.

Shannon tem saídas meio filosóficas que, geralmente, soam forçadas. Gatsby é um pouco ameno em demasia e Ashleigh é bastante irritante. A sua ingenuidade parece muito forçada e é fácil não gostar da personagem, o que não sei se seria bem o objetivo. Apesar da comédia dramática aglomerar alguns dos nomes mais sonantes na camada mais jovem de atores, isto não é suficiente para a salvar.

A performance de Selena Gomez não espanta. Não é má, mas também não se destaca em nada. Por outro lado, Thimotée Chalamet deixa a desejar. Não sei se é o efeito Call Me By Your Name, mas acho que a personagem não faz tanto o género do ator de grande qualidade. Elle Fanning, contudo, já consegue ser mais aprazível, apesar da personagem.

Um Dia de Chuva em Nova Iorque

Mas nem tudo é mau. A realização é agradável, os planos estão bem escolhidos e Vittorio Storaro merece um aplauso pelo trabalho como diretor de fotografia. As imagens são bonitas, mas sem perderem o “quê” de cinzento e melancólico de Nova Iorque. Há, também, um exercício exímio na escolha das cores de fundo, que bem representam as situações ou as mudanças psicológicas das personagens.

Sublinho, ainda, a banda sonora incrível. O filme é praticamente todo acompanhado de Jazz/Swing. Maioritariamente, o piano, o saxofone e o contra-baixo fazem a mistura perfeita para nos acompanhar pela cidade americana cheia de oportunidades, cores e cafés elegantes, num estilo muito Sinatra.

Apesar de não fascinar e ser facilmente esquecido, Um Dia de Chuva em Nova Iorque é uma longa-metragem que se vê facilmente, sem aborrecer. As cores, a música e a boa filmagem tornam-no agradável e, ao juntar isto à história pouco complexa, o trabalho torna-se uma boa companhia para uma tarde de domingo.