Se o nível das águas continuar a aumentar, o atual Vale do Lima poderá ficar submerso daqui a 30 anos.

O aviso foi lançado a partir de um estudo do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (PIAC), de onde fazem parte também membros das Nações Unidas. Se não se cumprirem as metas do Acordo de Paris de 2015, várias regiões de Portugal poderão ficar submersas.

O painel demonstra que, até 2050, é estimado uma subida de até mais de 50 centímetros do nível das águas, o que causaria a inundação de grande parte das ribeirinhas portuguesas. No entanto, se as metas acordadas em Paris forem cumpridas, o aumento reduz para cerca de metade, atingindo assim os 50 centímetros apenas em 2100.

De acordo com o relatório do PIAC, o nível do mar tem subido, em média, “cerca de quatro milímetros por ano” desde 2006. No entanto, o número pode aumentar significativamente, até quase 100 vezes, se as emissões de gás com efeito de estufa não começarem a diminuir. Ben Strauss, presidente da ONG, citado pela Agence France-Presse (AFP), afirma que o litoral português estará bastante vulnerável a esta subida do nível das águas e o estuário do Tejo é o que corre mais risco.

Para além do Vale do Lima, constam da lista de 100 concelhos em risco de submersão a foz do rio Cávado (Esposende, Fão e Apúlia) e a do rio Minho (Caminha). Estão também em risco as cidades contíguas ao estuário do Tejo, como Lisboa, Vila Franca de Xira, Carregado, Montijo, Moita, Azambuja, Benavente, Alcochete. Consta ainda da lista a costa algarvia.

Já a nível global, cerca de 300 milhões de habitantes de áreas costeiras poderão ser ameaçados pela subida do nível do mar. Prevê-se um maior impacto na China e nas regiões do Sudeste Asiático.