Sob o tema “Do ComUM ao Mercado de Trabalho”, a celebração contou com os testemunhos de antigos membros.

O jornal dos alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho celebrou, na última quinta-feira, o seu 14º aniversário, numa cerimónia que teve lugar na Sala de Atos do Instituto de Ciências Sociais (ICS). No painel de convidados, moderado pelo professor Luís António Santos, encontravam-se João Filipe Coelho e João Pereira, editores de Desporto e de Multimédia, respetivamente, no ano de 2016/2017, Liliana Malainho, redatora de Sociedade entre 2014 e 2016, e Tiago Barquinha Gonçalves, editor de Desporto no ano 2017/2018 e Diretor em 2018/2019.

Quando questionados sobre o impacto que o ComUM teve e de que forma se reflete nas suas carreiras profissionais, todos os convidados sublinharam a importância do projeto. João Filipe Coelho, atualmente na assessoria de comunicação do Leixões SC, destacou como o ComUM o ajudou a perceber como funciona o mercado de trabalho, explicitando que o jornal dá uma certa ““bagagem” para o que temos que enfrentar no nosso percurso profissional”. Por sua vez, Tiago Barquinha Gonçalves, jornalista na Rádio Universitária do Minho (RUM), referiu que a sua estadia no ComUM contribuiu para um aprofundamento do seu conhecimento acerca dos diversos órgãos da academia, servindo assim de alicerce ao seu trabalho atual.

Apesar das boas memórias, existem aspetos a melhorar neste jornal académico. Liliana Malainho, jornalista no Zap.aeiou, referiu que, desde que saiu do projeto, muita coisa mudou e que a criação de um espaço comum, onde todos os integrantes do jornal tivessem oportunidade de trabalhar e de partilhar ideias entre si, seria um bom passo a dar. O professor Luís António Santos mencionou a promessa do Centro Multimédia que se tem vindo a arrastar por vários anos devido a constrangimentos devido à política da universidade, denunciando que “há 20 anos que um grupo de pessoas de departamento faz planos para aquele projeto”.

Assim como João Pereira, João Filipe Coelho e Tiago Barquinha Gonçalves sublinharam que a vontade de trabalhar em prol do jornal por parte dos redatores ia decrescendo ao longo dos semestres, sendo esse um ponto importante de ser revertido, visto que este é um jornal exemplar no jornalismo online. “Isso faz com que o trabalho, quase todo, sobre para os editores e para o diretor, e era importante prender os colaboradores desde o início para que o trabalho seja melhor distribuído”, sublinha o atual jornalista da RUM.

O facto de o ComUM ser um projeto académico inteiramente gerido e constituído por estudantes e poder suscitar as mais variadas reações por parte das pessoas foi também um tópico discutido. João Pereira, atual Motion Designer na LKCOM, afirmou que sentia maior recetividade e paciência por parte das pessoas por se tratar de algo de cariz académico, enquanto João Filipe Coelho se focou na questão de o ComUM estar presente nos acontecimentos, de ir aos locais onde estes decorrem, revelando que “o ComUM só está a crescer e a ganhar reconhecimento porque estamos lá”.

Quando questionados acerca do estatuto editorial, Tiago Barquinha Gonçalves mencionou a importância de o ComUM ter um, algo que nem todos os jornais têm. O atual jornalista considera que uma linha editorial é importante para a criação da identidade de um órgão de comunicação social e para perceber a forma de funcionamento do mesmo.

Os convidados foram também desafiados a eleger momentos marcantes ao longo da sua experiência no ComUM. Liliana Malainho escolheu a entrevista que realizou a Zé Pedro, guitarrista da banda Xutos e Pontapés, no âmbito das Monumentais Festas do Enterro da Gata. Isto porque, passados dois anos, quando já se encontrava no mercado de trabalho, teve de noticiar a morte do guitarrista, tornando-se assim um momento bastante marcante. João Pereira, por sua vez, refere uma reportagem feita em Barcelos sobre basquetebol, onde toda a elaboração exigente do trabalho, desde as filmagens até ao contacto com os jogadores, foi algo que se destacou no seu percurso.

Os obstáculos postos à liberdade de ideias no mercado de trabalho foi outra questão colocada ao painel. Na ótica de João Pereira, é muito importante debater ideias, pois “deve haver sempre espaço para sugerir e para debater ideias”. Porém, segundo Liliana Malainho, muitas vezes não há tempo nem condições para tal porque, embora tenha liberdade de proposta, “na parte da execução não há tempo nem financiamento para isso”. Tiago Barquinha Gonçalves referiu a escassez de tempo para dar o ênfase necessário aos assuntos, enquanto João Filipe Coelho, sendo assessor, sublinhou as redes sociais como um espaço de maior liberdade criativa mas muito exigente, algo que a vertente de assessoria lhe permite observar.

Depois de relembrar os momentos passados no ComUM, foi altura de pensar no futuro. João Pereira afirmou que o jornal deve continuar o caminho que está a fazer, enquanto Liliana Malainho frisou novamente a criação de um laboratório comum. A aposta em reportagens foi a sugestão de Tiago Barquinha Gonçalves e João Filipe Coelho, sendo que o atual assessor de comunicação sublinhou ainda a importância das redes sociais como algo a aprofundar cada vez mais, em prol de expandir horizontes e levar o ComUM a diversas regiões.

O atual diretor do ComUM, Pedro Oliveira, explicitou a importância daqueles testemunhos para elucidar os alunos acerca do mercado de trabalho. Salientou, ainda, que o jornal dos alunos de Ciências da Comunicação não se prende só ao jornalismo, mas também a outras áreas, sendo essa uma das ideias a transmitir com o painel de convidados.