Sultana – A Vida de uma Princesa Árabe, de 1995, é mais um estridente livro da jornalista e escritora norte-americana Jean P. Sasson, que revela o desconhecido. Novamente, a autora mostra-se capaz de abrir horizontes e consciencializar o leitor, presenteando-o com o retrato da vida de uma princesa saudita, da casa real Al Saud.

A protagonista, intitulada Sultana, confia a Jean P. Sassona a sua vida, os segredos passados e atuais da sua família, factos que normalmente são escondidos. A rapariga conta-lhe as humilhações, os horrores e crueldades que as mulheres sofrem às mãos da sociedade do mundo árabe. Deste modo, a escritora confere às suas palavras um trono, com a publicação do livro.

Sultana – A Vida de uma Princesa Árabe oferece uma perspetiva verdadeira de como as mulheres são tratadas: tal como um pedaço de papel, mobília, algo sem significado. Segundo o Corão, o povo árabe deveria tratar as mulheres com respeito. No entanto, mesmo que este siga religiosamente o Corão, escolhe não agir de acordo quando o assunto diz respeito às mulheres. Ao ser exposto este facto, o leitor passa a sentir não só pena, mas enche-se de revolta.

Sultana: A Vida de uma Princesa Árabe, Jean Sasson

Como uma história da carochinha, a narrativa é exibida linearmente. Vê-se pintada sequencialmente a vida da protagonista, desde a sua adolescência, ao momento em que decide contar a sua essência a alguém. E ainda, para explicar melhor os tempos sentidos pelo povo árabe, são incorporados, na história da jovem, acontecimentos marcantes de outras vidas que colidem com a sua. Assim, as personagens da história passam despercebidas, pois aquilo que o leitor quer saber é das suas histórias e respetivos finais.

Através de um fio condutor, de forma contínua, vamos construindo severamente a imagem da sociedade em que Sultana vive. Acabamos por perceber as barbaridades a que as mulheres árabes são expostas. Temas como a poligamia, a falta de livre-arbítrio, a impotência das mulheres em casamentos forçados, divórcios, infertilidade, violação, mutilações, execuções, e falta de poder em relação aos homens, são evidenciados claramente, sem manobras ou encobrimentos.

Deste modo, a escrita é direta e poderosa, carregada de pormenores e detalhes vívidos, que servem para abismar quem lê. Não há falinhas mansas, o leitor é obrigado a deparar-se fortemente com a verdade dos acontecimentos e, por isso, interliga-se fielmente a Sultana e à sua necessidade de mudança. Passa a partilhar a sua ideia de liberdade e, ao longo do livro, é inevitável, não clamar por justiça e paz.

Sultana – A Vida de uma Princesa Árabe é, então, um livro forte, com uma história forte. Um conto verídico daquilo que escolhemos não saber e que nos incomoda conhecer.