Esta quinta-feira, dia 26 de dezembro, chegou a Portugal, diretamente da Broadway, o filme inspirado no famoso musical Cats. O trabalho realizado por Tom Hopper prende o público com a magia das músicas e a interpretação dos atores. No entanto, perde muito pelos efeitos visuais e imagem geradas em computador muito fracas e disformes.

A história de Cats parte do ponto de vista de Victoria (Francesca Hayward), uma gata abandonada na rua, dentro de um saco do lixo. A personagem vai conhecer, ao longo de todo o trabalho, vários gatos, cada um com o seu caráter e talento.

Cats

Destaca-se uma tribo especial de gatos, os Jellicle. Todos os anos, este grupo se junta num baile, onde devem decidir qual deles é merecedor de subir à Camada Celestial e renascer para uma nova vida. A seleção é feita através da apresentação dos vários personagens, claramente, por via musical.

Num filme em que todos são protagonistas, há sempre nomes que se destacam. Em Cats, todo o elenco, devo dizer, foi muito bem escolhido e as performances maravilhosas. Porém, é indispensável um aplauso extra para Laurie Davidson (Mr. Mistoffelees) e Idris Elba (Macavity). O primeiro pela excelente e genuína performance, que o destaca do restante elenco. Já o ator de Batalha no Pacífico surpreende com o seu papel. Raramente se consegue criar um bom vilão, pior ainda fazer com que o público o adore. Macavity contraria a regra. O gato maquiavélico conta com tamanho carisma, suportado pelo trabalho do autor, que é impossível não o venerar logo após alguns minutos.

Cats

Quanto a momentos musicais, Jennifer Hudson (Grizabella), Jason Derulo (Rum Tum Tugger) e Taylor Swift (Bombalurina) levam os louros. A primeira pelo momento alto que é a música “Memory”, que torna o musical de Andrew Lloyd Webber épico. Derulo destaca-se pela excelente interpretação da personagem, em relação ao musical, e pelo momento musical excecional que está, de certa forma, fora da sua zona de conforto. Por fim, a cantora americana de “You Need To Calm Down” deixa qualquer um de queixo caído com a música “Macavity” e a sua performance, que supera, sem dúvida, qualquer expectativa existente.

Apesar de toda a magia captada no musical, o filme perde muito graças aos efeitos e imagens geradas em computador. Falo, claro, da transformação digital do elenco em gatos. A tentativa de evolução dos produtores saiu pela culatra ao dar origem a animais disformes. Para além de se apresentarem mais pequenos do que seria normal, alguns gatos apresentam ainda irregularidades e os seus movimentos não acompanham os atores, que parecem estar mesmo a flutuar quando andam.

Cats

O erro teria sido evitado se o realizador se limitasse a utilizar figurinos e caracterizações. Mas, como diz o velho Asparagus (Ian McKellen) na sua apresentação, “o teatro certamente já não é o que era. Estas produções modernas são todas muito boas, mas nada se compara ao que eu conto”. É uma perda de fluidez e encanto desnecessária, mas os erros existem sempre de alguma forma.

Resumindo, Tom Hopper falhou muito na sua tentativa de tornar os personagens realistas, sim. No entanto, Cats não perdeu a magia original do musical. Consegue prender o espectador ao ecrã desde o início ao fim e ainda fazê-lo bater o pé ou cantarolar um pouco.