No dia 31 de dezembro chega ao fim a segunda década do século XXI. Nestes últimos dias de 2019, não relembramos os momentos em família ou toda a loiça velha partida. Recordamos obras inspiradoras, com narrativas brilhantes e metáforas que fazem sonhar. Embora seja difícil reduzir toda uma época a apenas alguns nomes, o ComUM selecionou, em revista, alguns dos livros que mais se destacaram ao longo deste tempo.

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe (2010) – Uma viagem pela memória: é assim que o autor nos deixa. Com a sua pontuação escassa, relembramos Saramago. Um livro sobre a velhice e solidão que revela maturidade. Viajar com um senhor de 84 anos sem saber bem para onde nos leva. É pesado emocionalmente e retrata a terceira idade quando já mais ninguém se lembra do que é ser velho: um lar e o esquecimento dos filhos. A escrita é refinada e considerada uma obra de arte que faz qualquer um refletir. (Título Original: a máquina de fazer espanhóis)

A Culpa é das Estrelas, John Green

A Culpa é das Estrelas, John Green (2012) – Emocionante e forte. Uma história que marcou a adolescência de uma geração. Todos ouvimos a certa altura montes de pessoas ou mesmo nós próprios a dizer “Okay? Okay.” A obra de John Green é o retrato leve de um amor jovem que supera qualquer adversidade. Um espelho de crianças que tiveram de crescer demasiado rápido devido a um problema que não deveria ter-se atravessado no seu caminho. Sem dúvida, A Culpa é das Estrelas é uma lição de vida. Uma narrativa comovente que nos ensina a todos a valorizar  todos os momentos. (Título Original: The Fault in our Stars)

Em Parte Incerta, Gillian Flynn

Em Parte Incerta, Gillian Flynn (2012) – A autora de Objetos Cortantes mantém, nesta obra, a escrita incisiva e a perspicácia que lhe são tão características. Um thriller sombrio e arrepiante sobre um casamento que se torna numa verdadeira cena de terror. Gillian Flynn consegue deixar o leitor constantemente em suspense, sem saber se quer, ou não, descobrir o que vem a seguir. (Título Original: Gone Girl)

Doutor Sono, Stephen King

Doutor Sono, Stephen King (2013) – A continuação do clássico A Luz. Na mesma fantástica linha de terror, o novo trabalho de Stephen King consegue tirar o sono a qualquer um que o leia, por ser tão arrebatador e assustador. O autor continua a impressionar miúdos e graúdos com os seus clássicos, muitos deles já adaptados ao cinema, como é o caso. (Título Original: Doctor Sleep)

O Pintassilgo, Donna Tartt

O Pintassilgo, Donna Tartt (2013) – Surpreendente e completa. Uma obra que dividiu as críticas mas que não deixou os seus leitores indiferentes. Visual e descritiva, como Donna Tartt sempre nos habituou. Por alguma razão a escritora leva sempre cerca de dez anos a completar um livro. A história de um rapaz que perde a mãe e ganha uma pintura. Um feito admirável da autora, ao apresentar uma grande revelação logo nas primeiras páginas e, mesmo assim, conseguir agarrar-nos até ao final. (Título Original: The Goldfinch)

A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins

A Rapariga no Comboio, Paula Hawkins (2015) – Apesar de não superar as expectativas da maior parte dos leitores, trata-se de uma das obras que alcançou os tops de vendas mais rapidamente. Um thriller típico e arrepiante sobre como o quotidiano de uma pessoa pode mudar de um dia para outro, pela simples observação de algo no momento errado e à hora errada. Para além das falhas, um trabalho muito interessante de Paula Hawkins. (Título Original: The Girl on the Train)

A Origem, Dan Brown

A Origem, Dan Brown (2017) – Bem pensada e misteriosa, como seria de esperar de Dan Brown. Uma obra que prende o leitor nos seus enigmas como uma âncora. No quinto livro que segue as aventuras de Robert Langdon, é feita uma descoberta que pode “mudar o rosto da ciência para sempre”. Bastante pormenorizada, a própria escrita do autor é um código para um mundo de simbologia e pensamento, que agarra qualquer um da primeira à última página. (Título Original: Origin)

O Último Caderno de Lanzarote, José Saramago

O Último Caderno de Lanzarote, José Saramago (2018) – O diário do autor que nos deixou há quase dez anos. Mais do que uma reflexão, é a própria agenda de Saramago. Intimista e, de certa forma, estranho, como qualquer diário. (Título Original: O Último Caderno de Lanzarote)

O Tatuador de Auschwitz, Heather Morris

O Tatuador de Auschwitz, Heather Morris (2018) – Inesquecível. A história verídica do homem que se viu forçado a juntar-se ao terror e a contrariar tudo o que defendia para poder sobreviver. Uma obra sobre sobrevivência e sacrifício que consegue aquecer o coração de qualquer leitor, mesmo nos momentos mais aterrorizantes. A obra de Heather Morris promete perdurar no tempo. (Título Original: The Tatooist of Auschwitz)

Breves Respostas às Grandes Perguntas, Stephen Hawking

Breves Respostas às Grandes Perguntas, Stephen Hawking (2018) – Clara e leve. As anotações do autor sobre teorias que deixam cientistas e a humanidade perdidos e sem saber o que fazer. A obra, menos densa do que qualquer outra de Hawking, aproxima qualquer um da ciência. Não existe uma solução para estas grandes questões, mas existe sim uma forma de simplificá-las na cabeça do leitor. (Título Original: Brief Answers to the Big Questions)