Dois anos depois do seu último álbum, The Script apresenta ao mundo Sunsets & Full Moons. Em apenas nove faixas, o ouvinte é levado numa jornada marcada pelo amor, esperança e desespero: todo um círculo repleto de emoções.

O som Pop e o trabalho de produção complementam-se bastante bem, empoderam os momentos mais energéticos e também dão calma e leveza, se a faixa assim o exigir. Independentemente do pretendido, o destaque da letra ou da voz do vocalista nunca abafa o desempenho dos outros dois membros.

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Something Unreal”, o primeiro tema, é um dos “hinos” da compilação e a energia otimista faz desta uma boa escolha de faixa para a introdução. Ao som das cordas, entra fresca e impactante. The Script trazem com esta música um refrão que vicia e se entranha.

The last time” segue a fórmula das canções típicas da banda, lembrando a icónica música “The man who can’t be moved”. Carregada de melancolia, os acordes de piano acompanham a canção. Liricamente, é uma reflexão perante as despedidas e a dor de ver partir, a incompreensão face a um futuro destruído.

Segue-se “Run Through Walls” em que o guitarrista, Mark Sheenan, oferece um momento de Hip-Hop que contrasta com o tom melódico do vocalista. Fala da necessidade de haver um ombro amigo para ajudar a superar os obstáculos. Veja-se que a criação do álbum veio acompanhada pelo falecimento da mãe de O’Donoghue, o vocalista, daí todo o pendor negativo que transparece ao longo do mesmo.

If you don’t love yourself” é um olhar interior sobre uma oportunidade que se deixou escapar. É um contraste direto com a primeira faixa, marcado com uma certa delicadeza. Já “Hurt People Hurt People” pretende transmitir uma mensagem de ânimo perante a perda. O duo musical volta a estar presente e a bateria torna a transição mais ligeira. É uma faixa que não deixa ninguém indiferente e é impossível o refrão não ficar preso na cabeça de quem o ouve.

Same Time” é menos intensa, mas mantém-se fiel à receita que a banda apresenta desde sempre. O piano em “Underdog” e o seu lado mais energético fazem desta uma boa aposta do álbum. Ninguém escreve canções sobre desgostos como os The Script e “The Hurt Game” é a prova disso.

O álbum termina com “Hot Summer Night”. Dona de uma vibe descontraída, é o xeque-mate de todo um trabalho marcado pela emoção. De um modo geral, a compilação triunfa e há um equilíbrio ideal entre as faixas mais lentas e as mais rápidas.

Sunsets & Full Moons é um disco apaixonante. The Script repete a sua fórmula já há muito apreciada o que não é necessariamente, à primeira vista, evidência de fracasso ou sucesso. Era o esperado e, em grande medida, imprescindível, tendo em conta todo o trabalho ao longo dos anos.

Nada está fora de lugar ou é incoerente. Apresentam-nos uma compilação bastante fácil de ouvir, delicada. As faixas são memoráveis, mas nenhuma se apresenta como um marco na indústria musical. Assim, o novo álbum da banda pouco inova, mas muito emociona e proporciona uma experiência que ecoa em quem o ouve. A música é, portanto, uma força que comove e Sunsets & Full Moons é sem dúvida um álbum poderoso.