É a partir do contexto da realidade brasileira que foram discutidas as formas de “contra-comunicação” aos meios de comunicação tradicionais que têm sido desenvolvidas pelos movimentos sociais. A sessão foi guiada pela professora Cicilia Krohling Peruzzo.

“Comunicação popular, comunitária e alternativa. Resistência e direito à comunicação” foi o tema da sessão desta quarta-feira, no auditório da Escola de Engenharia. A palestra foi organizada pelo programa doutoral de Estudos de Comunicação: Tecnologia, Cultura e Sociedade.

Cicilia Krohling Peruzzo dedica-se ao estudo da comunicação popular, alternativa e comunitária nos meios de comunicação locais e regionais, bem como o seu papel na ampliação do exercício da cidadania.

A docente visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, deu início à palestra com uma contextualização da atual situação do país. Segundo Cicilia Peruzzo, o Brasil contempla, ainda, muitas desigualdades. “O problema vai passando de um século para outro, de uma década para outra”, acrescentou. A professora revelou dados sobre a desnutrição, a violência, a discriminação racial, contra as mulheres e a comunidade LGBT, que confirmam isso. Para a docente, é fundamental entender as contradições de classes que existem.

O Brasil continua a ser um país de conflitos e desrespeito pela preservação do ambiente. No entanto, Cicilia Peruzzo fez referência a entidades que lutam por amenizar estes problemas e que promovem a mudança. Entre elas, sindicatos, igrejas e universidades; no fundo movimentos socias que se movem sobretudo pela divergência e que apontam numa única direção, para o progresso. “É preciso ver a comunicação como uma geração de direitos”.

Estes movimentos sociais pretendem conquistar melhores condições, desenvolver o conhecimento e “fomentar a capacidade de mobilização social e de intervenção para evitar a influência.” Para a docente, é “dar voz ao outro”, mas também dar “vez”. Passa sobretudo por dar visibilidade a uma causa social, satisfazendo, ao mesmo tempo, as necessidades da comunidade.

É através dos conhecidos movimentos sociais que surge a “contra-comunicação” aos meios de comunicação tradicionais. Abordando o conceito cujo qual é especialista, Cicilia Krohling Peruzzo falou de comunicação popular, comunitária e alternativa como uma “contra-comunicação”, que diverge dos formatos tradicionais de comunicação quer no conteúdo, na política ideológica, nas estratégias de produção de conteúdos, na participação ativa, liberdade de expresão e até pelas fontes utilizadas.

“O direito à comunicação, não é um processo novo. As práticas e estes movimentos ajudam a qualificar este direito”, defendeu a docente e cordenadora do Núcleo de Estudos de Comunicação Comunitária e Local. Esta nova forma de comunicação ultrapassa o direito de apenas receber informação para o direito de fazer parte da comunicação e informação. “Já não é apenas o papel de recetor, mas também de produtor de conteúdos”.

Numa fase posterior, foi também abordada a noção de “direito coletivo”, reforçando a ideia de que a cidadania não é algo que seja entregue por parte do Estado, mas sim que se constrói. Cicilia Peruzzo referiu que estes movimentos também fazem uso das plataformas digitais e das redes sociais, mas confessou que, por vezes, torna-se mais estratégico ficar de fora. “A liberdade da internet está condicionada” referiu. “Há apropriação constante dos dados pessoais.”

O final da sessão ficou marcado  por um pequeno debate e troca de diálogos, onde a professora procurou desafiar os intervenientes para esta nova forma de comunicação.