Free Nationals apresentam o seu primeiro álbum sem lhe atribuírem um título característico. Lançado a 13 de dezembro de 2019 e intitulado Free Nationals, a banda não quis abandonar a década sem deixar um cunho pessoal.

Para quem não tinha conhecimento da existência dos Free Nationals, agora é uma boa oportunidade para os conhecer. A banda é conhecida por acompanhar Anderson Paak, mas agora tem a oportunidade de levar as luzes dos holofotes até si.

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Alguns nomes conhecidos compõem a lista de colaborações e participam na formação de um corpo musical que a crítica agradavelmente recebe. Um projeto que nos convida para um ambiente festivo de Retro-Funk e que, certamente, não deixou nada a desejar.

“Obituaries”, primeira faixa do álbum, serve como uma introdução. Com palavras proferidas por Shafiq Husayn nos segundos iniciais uma mensagem positiva de união e propagação do amor nasce. O que resta em segundos da música são preenchidos pelo instrumental dos Free Nationals. O som é composto por uma meticulosa produção de instrumentos como a bateria, a guitarra e o baixo, fazendo desta música uma espécie de preparação para o que o resto do álbum será.

“Beauty & Essex” é a segunda música do projeto e já tinha sido lançada como single em 2018. Com o contributo do cantor de R&B Daniel Caesar e Unknown Mortal Orchestra, uma letra explícita de cariz sexual insurge-se num som guiado essencialmente pelo baixo, pela bateria e pelo piano. Os back vocals dos Free Nationals passam por alguma produção em determinadas partes da música, completando-a e tornando esta faixa sem dúvida numa das melhores músicas de todo o álbum.

Em “On Sight”, a banda conta com JID, Kadhja Bonet e MIKNNA. Em sintonia, todos criam uma música que cria um ambiente relaxante. A música é introduzida pela bateria que acaba por nos guiar ao baixo e ao som de um xilofone e de uma produção que relembra o da música Redbone, de Childish Gambino. A letra é a típica carta amorosa onde os artistas demonstram, com as suas vozes, o desejo expresso numa incessante vontade de estarem ao lado da pessoa desejada.

A quarta música é, mais uma vez, iniciada pelo som sincronizado da bateria. “Shibuya”, que conta com a presença da cantora Syd, não é uma música longa, mas certamente prende quem a ouve. A sua letra é, de novo, de cariz amoroso, onde duas pessoas não poupam esforços e esperam fazer de tudo para se manterem juntos.

A história por trás do título é bastante original e cria uma ligação à letra. “Shibuya” é uma referência à área comercial que rodeia uma das estações mais movimentadas de Tóquio, a estação Shibuya. O trabalho da voz de Syd aqui é persuadir o seu companheiro a passarem mais um dia juntos, como se de um dia em Shibuya se tratasse.

“Apartment” é a quinta música do projeto. Começa com o som de uma guitarra elétrica e a letra cria uma metáfora para independência, na forma de um apartamento nasce na voz de Benny Sings. Com a ajuda instrumental dos Free Nationals, a história por trás dos versos de Apartment são repletos de criatividade. Através da sua voz, Benny Sings conta o fim de uma relação que o obriga a seguir em frente e sair do sofá da irmã – de forma a começar uma nova jornada na sua vida.

“Gidget” é, provavelmente, a música mais groovy de todo o álbum. A sexta faixa conta com a colaboração de alguém que não nos é estranho: Anderson Paak. Com um baixo que cria arrepios nos segundos iniciais, Anderson Paak introduz uma letra bastante básica de uma relação, mas que é claramente compensada num instrumental do baixo, da bateria e da guitarra elétrica. Outro atributo desta música é, sem dúvida, uma produção na distorção de voz no refrão que relembra as músicas de Daft Punk. Uma produção que quase nos leva para as Discos dos anos 80 e nos faz sentir vivos na musicalidade desta faixa.

A sétima faixa surge no título de “RENE”, contando com a colaboração de Callum Connor. Com uma duração curta, o instrumental fica na base da guitarra elétrica e de uma bateria sincronizada. O título é o nome da pessoa que Callum Connor está a tentar contactar da Shelby County Jail in Memphis. Na letra, o artista expressa as adversidades que ambos na relação passaram e que a distância não o fez esquecer de “RENE”.

“Time” é a oitava música do álbum. A música já tinha sido lançada no formato de single em 2018 e compõe, em 2019, o álbum de estreia de Free Nationals. E por muito tempo que se tenha passado desde que partiu, Mac Miller não será esquecido: e vive nesta faixa.

Os Free Nationals juntaram Mac Miller e a sensação de R&B Kali Uchis numa música com um instrumental relaxante e reconfortante. Mergulhados numa letra que expressa a necessidade de o tempo correr naturalmente numa relação e fazer as suas magias, Mac Miller e Kali Uchis entregam-se à mesma. Assim como os vocalistas, os Free Nationals criam um som suave com um instrumental composto pelos suspeitos do costume: a guitarra, o baixo e a bateria.

“Cut Me a Break” é a nona faixa e a mais curta do álbum. Num tom mais acelerado pela voz do rapper T.I., o instrumental dos Free Nationals, especialmente através da guitarra elétrica, guia a música até ao seu final. A letra de “Cut Me a Break” é algo mais direcionado para a relação de T.I. com o seu meio enquanto artista a aperceber-se da falsidade que o rodeia. Denota-se alguma consciência na letra, uma vez que o rapper claramente não se entrega aos comentários alheios daqueles que somente mal lhe desejam.

“Eternal Light” é a música que encaixa na perfeição para quem procura um bom som. Esta décima música tem uma letra narrada por Chronixx e um instrumental perfeitamente organizado e sincronizado pelos Free Nationals.

A letra é baseada nas boas vibrações que o positivismo consegue criar e a aceitação da música enquanto algo que nos pertence. Abraçarmos as emoções que nos fornece e fazer delas algo que somente pode ser explicado pela língua universal que é a música. Esta letra na voz de Chronixx, o baixo perfeitamente tocado, a bateria meticulosamente tocada e uma produção que segura todo o instrumental geram um sentimento que só a música consegue criar.

“Oslo” reúne, novamente, os Free Nationals e Callum Connor, mas a eles também se junta T. Nava. Com mais uma faixa que encarna o estilo Retro-Funk com o seu toque groovy, os Free Nationals expressam no instrumental da guitarra e da bateria um sentimento de felicidade e um ambiente tranquilo reservado para a música. Das vozes de Callum Connor e T. Nava sai uma letra direcionada a uma “pretty little thing from Oslo” que apenas quer dançar e mergulhar na diversão que só a música consegue criar.

“Lester Diamond” não conta com colaborações pois é uma música pura e inteiramente instrumental. Os sons do piano, da bateria e da guitarra elétrica surgem numa harmonia groovy que nos fazem dançar instantaneamente. Free Nationals não descartam alguma produção a computador para esta música, mas sem nunca a tornar um som considerado o atual mainstream.

“The Rivington”, faixa que encerra este projeto de treze faixas, junta os Free Nationals, Conway, Westside Gunn e Joyce Wrice. Com um instrumental que relembra um pouco “Beauty & Essex”, segunda faixa do projeto, a letra desta música acompanha uma letra que muito provavelmente seria mais reconhecida no estilo de Hip Hop.

Contudo, a letra encaixou no som do baixo, da guitarra elétrica e da bateria atrás. Talvez esta seja a magia deste álbum: conseguir incorporar vozes e sons que seriam reconhecidos em estilos mais específicos num estilo onde há espaço para todos.

O primeiro de muitos. Free Nationals apresentaram ao mundo o seu primeiro álbum e não nos deixaram ficar mal. A banda que era maioritariamente conhecida por acompanhar e realizar o instrumental das músicas de Anderson Paak, agora agarra a oportunidade de mostrar a magia que consegue realizar quando se trata de instrumentos musicais e a sua singularidade.

Neste álbum juntaram diferentes artistas e combinaram diferentes sons, mas sempre remetendo para uma harmonia musical que reconforta e nos transporta um pouco para o mundo dos anos 70 e 80. Uma primeira impressão para o primeiro álbum? Já só se pede o segundo.