Faleceu Paulo Gonçalves. O piloto português de 40 anos sofreu um acidente na sétima etapa do Dakar, tendo sido encontrado pelas equipas de socorro já em paragem cardíaca. É o adeus àquele que é considerado pelos aficionados um dos melhores motociclistas de sempre em Portugal.

Speedy Gonçalves, como era conhecido no mundo das corridas, participava pela 13ª vez na prova, cuja vitória era o seu sonho. No ano de 2015 o piloto alcançou um brilhante segundo lugar, atrás do espanhol Marc Coma. Participava desde 2006 no rali Dakar, onde conseguiu quatro classificações no top10 da prova. Afirmou-se sempre como um grande competidor e um sério candidato à vitória em todas as corridas em que entrava.

O motociclista era uma pessoa extremamente querida dentro e fora do mundo das corridas, conhecido pelo seu comportamento e pelas suas atitudes de fairplay. Em 2016 marcou uma etapa quando Matthias Walkner, austríaco candidato à vitória, sofreu um duro acidente que lhe fraturou a clavícula e o fémur. Candidato ao triunfo dessa edição do Dakar, Walkner era um adversário direto de Paulo Gonçalves. O português era o líder da prova, mas isso não o impediu de parar a mota para ajudar o rival. Ação que lhe valeu o prémio Ética e Desporto, do IPDJ.

Não foi a primeira vez que Gonçalves tinha uma atitude tão digna. Em 2012 ajudou o piloto francês Cyril Despres a tirar a sua mota de um lamaçal, perdendo consequentemente a sua própria mota, gesto que não foi agradecido pelo gaulês, que prontamente se aproveitou do piloto luso e seguiu a sua corrida, ganhando 15 minutos a Speedy.

O auge da carreira do motociclista surgiu em 2013. No rali de Marrocos, Paulo sagrou-se campeão do mundo de todo-o-terreno, seguindo-se a Hélder Rodrigues na lista dos portugueses campeões mundiais. No seu regresso a Portugal, teve a receção de um herói, com centenas de pessoas à sua espera no aeroporto para mostrar o seu agradecimento. Sempre humilde, o minhoto disse no rescaldo da conquista que “esta vitória tem ainda mais sabor por ter sido tão renhida”, prova da sua constante humildade, na vitória ou na derrota.

Portugal perdeu um campeão, um herói, uma lenda. Paulo Gonçalves será sempre lembrado pelo legado que deixou no motociclismo português e internacional. Um exemplo de desportista, quer em termos de desempenho, quer no que à postura diz respeito. O piloto luso com maior número de títulos nacionais partiu quando procurava conquistar o seu sonho de vencer o Dakar.

Até sempre, Speedy.