Poeta. Tradutor. Jornalista. Manuel Resende faleceu esta quarta-feira, dia 29 de janeiro, com 71 anos, devido a um acidente vascular cerebral. Escritor de renome, será lembrado pelas suas traduções, pela sua poesia e pela voz que fez ouvir.

Manuel Resende nasceu no dia 9 de março de 1948, no Porto e decidiu tornar-se engenheiro, não por arte, nem por amor. Por isto mesmo, colocou a licenciatura na área a um canto. Decidiu integrar movimentos de contestação ao regime e lutar pelo seu país, durante o final dos anos 60.

Decorrente de um tempo de opressão, guerrilha e conflitos militares e políticos, o português constituiu, em 1983, a sua primeira obra de poemas, Natureza Morta com Desodorizante, onde expõe fortemente aquilo que vivenciou e como foi envolvido pela época pós-25 de abril. Sobre o livro, explicou: “Dei-lhe esse título para não dizer coisa nenhuma. Foi o mais esquisito que consegui arranjar. Há naturezas-mortas com violinos, açucenas, frutas… A minha tem um desodorizante”.

Manuel Resende

Trabalhou durante seis anos como jornalista no Jornal de Notícias e foi ainda tradutor no Conselho Europeu. Com este novo encargo, a poesia escapou e o escritor foi apenas banhando Portugal com traduções. Gérard Lenne (Mitologias), Henry James (Relógio D’Água), Mishima (O Tumulto das Ondas), Karl Max (O Capital), Lewis Carrol (A Caça ao Snark), Saki e Shakespeare foram alguns autores que viram as suas obras traduzidas por Manuel Resende.

Em 1997, o autor presenteou o país com mais poesia, com as obras Em Qualquer Lugar e O Pranto de Bartolomeu de las Casas e, passados sete anos, com O Mundo Clamoroso. Só em 2018 é que o país lhe devolveu, de forma inédita, o esforço e dedicação e o passou a admirar afincadamente, com Poesia Reunida.

Ao longo da sua escrita, Manuel Resende eternizou momentos marcantes, não só para si, mas para Portugal. Consigo deixa não só obras literárias poderosas, mas também memórias descritivas e prepotentes da história que nos fixa como cidadãos. O português deu voz à voz alheia, exprimiu vivências e aprendizagens. Expôs influências, determinou palavras e acontecimentos. Como tal, é intitulado “um dos maiores” das letras.