Margaret Atwood fez The Handmaid’s Tale regressar. The Testaments, a sequela do primeiro livro, foi lançada em setembro de 2019 e vem com novas personagens e mais segredos por desvendar.

A mais recente distopia da escritora canadiana traz-nos uma nova perspetiva do universo de The Handmaid’s Tale, bem como da república da Gilead, regime no qual a história decorre. Após 15 anos dos primeiros acontecimentos, o regime mantém-se. Contudo, há sinais de uma deterioração inicial e é através desta premissa que a narrativa se desenvolve. O livro marca também pela diferença, pois apresenta a trama do ponto de vista de três personagens com contextos e personalidades bastante diversas.

Inicialmente, é apresentado ao leitor o relato de uma mulher natural de Gilead, com todos os privilégios que a sua posição lhe confere. Por oposição, temos o testemunho de uma jovem mulher, residente no Canadá, que participa em ações de oposição ao regime vigente. Por fim, são ainda introduzidos os relatos de uma terceira mulher, que não só pertence ao regime, como também exerce a sua autoridade através da manipulação de segredos de Estado.

Margaret Atwood, The Testments

O aspeto mais cativante de The Testaments são, sem dúvida, as descrições ricas, que conferem ao leitor uma experiência mais envolvente face aos sentimentos das personagens, bem como do clima distópico presente na obra. Não obstante, a narrativa acaba por tomar, neste livro, um ritmo ligeiramente mais lento, o que pode assumir-se como um entrave inicial, enquanto o leitor não está inteiramente rendido à história. Por outro lado, a existência de várias personagens acaba por ser uma solução interessante para estabelecer um maior contraste entre as diferentes realidades retratadas.

A aura de mistério é um fator interessante que circunda a obra, principalmente pelos segredos de Estado que Gilead esconde. A crítica social também funciona bem e, apesar de não estar presente de forma direta, está subjacente no desenrolar da história e o leitor acaba por interiorizá-la e descodificá-la eventualmente.

Podemos, por isso, inferir que esta é uma obra a não perder para os fãs de The Handmaid’s Tale, não só pela crítica social bem executada, mas também pelo valor que tem enquanto livro de entretenimento. The Testaments prova que um trabalho distópico pode assumir um caráter adulto, contrariamente à conceção habitual que temos deste género como algo mais juvenil.