Togo não chegou a aterrar nas salas portuguesas, mas teve a sua estreia nos Estados Unidos a 20 de dezembro de 2019. Com um ambiente algo aconchegante no frio, a produção de Ericson Core leva-nos na emocionante viagem da relação do Homem com o cão.

A longa-metragem comprova que o cão é, definitivamente, o melhor amigo do homem. Baseado em factos verídicos e sob a asa da Disney, Togo conta a inimaginável história de um cão de trenó e do seu dono, Leonhard Seppala (Willem Dafoe). Na rigidez do clima do Alasca, o protagonista é um homem destemido. Acompanhado do seu cão, Togo, e da sua matilha, aventuram-se numa corrida por um soro capaz de curar uma epidemia que afeta a população de Nome, em 1925.

Togo

Porém, não somos presenteados com o típico cliché da relação perfeita entre um animal e o seu dono. Inicialmente, Leonhard não tem a intenção de aceitar um novo cão na sua matilha, pois este é mais fraco e mais pequeno do que os restantes. Contudo, 12 anos foram suficientes para que o homem se apercebesse da peça única que o cão era para a sua matilha no seu trenó.

Togo é um cão que, apesar das suas fragilidades físicas, inicialmente reconhecidas por Leonhard, é inteligente. Depois das inúmeras tentativas bem sucedidas de mostrar ao dono que é digno do seu respeito, recebe acolhimento numa matilha que, futuramente, irá liderar. Apesar de não ser uma personagem humana, consegue adquirir atributos de uma pessoa real. Para além da sua inteligência, demonstra o amor incondicional por Leonhard.

Willem Dafoe mergulha numa brilhante interpretação ao apresentar-nos um homem audaz e intrépido. Talvez também seja pelo facto de estar acompanhado por seres que, na sua natureza, não cedem ao medo. Mas a verdade é que todos nós podemos tirar algo do protagonista e aplicá-lo nas nossas vidas. Seja pela sua valentia, ou até mesmo pela coragem de viver no Alasca, Leonhard Seppala pode servir de exemplo em diversos aspetos.

Togo

Quando a notória Disney é mencionada, automaticamente remetemos para filmes de animação. Togo não é dessa categoria, mas, certamente, mergulha na magia da produtora a que sempre fomos habituados. Realizado por Ericson Core e escrito por Tom Flynn, o espaço onde a história nasce conquista o público. Datada do ano de 1925 e envolvida no frio do Alasca, o trabalho demonstra a beleza do branco das montanhas de neve desta região. Filmes como este, em que a realização e produção se baseiam neste tipo de ambientes, quase nos transportam para os mesmos, só através do visual.

“Que sejam nos seus copos transbordantes todos relembrados” são as palavras utilizadas por Seppala enquanto comanda o seu trenó de cães. Togo é uma história que transborda a coragem de cães destemidos e do seu dono ousado na busca de algo que os ultrapassa. Pelas lentes de uma relação frutuosa entre um homem e os seus cães, somos capazes de absorver a aventura que se traduz nos valores mais nobres do ser humano.