A decisão de tornar o edifício numa residência universitária já foi alvo de críticas por parte dos partidos políticos e do presidente da ASPA.

Esta quarta-feira, dia 8 de janeiro, Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal de Braga, decidiu o futuro das antigas instalações da Fábrica Confiança. Entre a perda do “último bastião do património industrial da cidade” e “entrar em conflito com a classificação”, são já vários os problemas apontados ao projeto ainda em incubação.

A decisão do presidente da autarquia de Braga foi já refutada por vários lados. O presidente da ASPA (Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural), Armando Malheiro, admitiu recear que, sendo a medida para a “protecção em termos de património”, a transformação do espaço num quase “hotel residência” vai contra “aquilo que é a utilização de um espaço para fruição pública e do que é um equipamento cultural”, de acordo com a classificação do imóvel.

Também os outros partidos políticos se pronunciaram contra a decisão. Em declarações à RUM, Artur Feio, vereador e presidente da concelhia de Braga do Partido Socialista (PS), afirmou que, “infelizmente, estamos na iminência de perder o último bastião do património industrial da cidade”. Garantiu, ainda, que o partido vai votar “contra esta alienação, na forma como está a ser pensada”.

Já o Bloco de Esquerda (BE) prometeu “continuar a fazer de tudo para parar a alienação”. O partido garantiu que o local “permitiria uma multiplicidade de ocupações, mas estas teriam de ser, sempre, de cariz público e não privado”.

Em nome da Coligação Democrática Unitária (CDU), Carlos Almeida deixou também claro o voto contra do partido de esquerda. O vereador do partido referiu que a escolha “vem confirmar aquilo que já classificamos no passado como de traição ao interesse público”, por não se ter avançado com a transformação do edifício num espaço cultural. A situação revela “que o processo de alienação sempre foi mal conduzido”, rematou.

Rui Oliveira, presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), afirmou que a medida só é uma solução para a falta de alojamento caso os “preços sejam controlados” e acessíveis.

No entanto, ainda nada está garantido. O Projeto de Informação Prévia aplicado só permite a atribuição de licença e posterior requalificação da Fábrica Confiança após a aprovação do projeto definitivo.