Assassínio no Parque é um livro sem rodeios, claro e explícito, com uma narrativa simples e transparente que, pela sua clareza, é capaz de colocar muitos dos policiais atuais de lado. Cinco homens numa caminhada, um deles é morto e o leitor recebe uma obra generosa.

Ellery Queen apresenta-se como autor da obra. No entanto, surge como um dos heterónimos dos primos norte-americanos Frederic Dannay e Manfred Bennington Leen, que se apresentam como Daniel Nathan e Maniord Lepofsky, respetivamente.

Como se estivéssemos a assistir a um dos famosos episódios de CSI ou Mentes Criminosas, Assassínio no Parque inicia-se de imediato com o homicídio que acaba por controlar toda a ficção: um grupo de amigos decide aventurar-se numa caminhada por entre a natureza, mas a meio do caminho, um deles – Earl Genneman – acaba morto. Logo depois do leitor imaginar a introdução deste possível episódio, começa a acompanhar o plano no qual os inspetores e sargentos, Omar Collins e Easley, se aventuram a descobrir os culpados. Este plano é o que fica responsável por acompanhar o resto das ações até ao fim do livro.

Elery Queen, Assassínio no Parque

DR

A história desenvolve-se naturalmente, sem muitas confusões ou súplicas de um rápido desfecho. O policial desenrola-se de forma apetitosa e, quando o leitor menos espera, lá estão as respostas para as suas perguntas. Os acontecimentos são apresentados de modo calculista e linear. Há ainda um compasso de ação que surpreende e que torna a leitura leve e ao mesmo tempo enriquecedora: o conflito não é labiríntico e as ações não se emaranham de modo a não se solucionar o crime de forma rápida.

As personagens são objetivas, sem demasiados e enfadonhos pormenores que se tornam um entrave à narrativa. A que mais se destaca é o Inspetor Omar Collins, por ser o guia pontual do decorrer dos acontecimentos e fornecer ao leitor os detalhes para o entendimento das mortes e a resolução do caso. Todas as outras personagens se expõem como pequeninos peões, por quem o leitor nem consegue estabelecer uma empatia acrescida.

Assassínio no Parque conta com uma escrita acessível, quotidiana e que deixa de lado as palavras caras que impedem a constituição de cenários perfeitos e a compreensão da história. Trata-se, portanto, da obra perfeita para fugir a uma rotina interminável de literaturas complicadas e desesperantes.