Numa edição mais completa que a primeira, este livro expõe a investigação à situação da economia portuguesa após a atuação da Troika. A obra fala também do baixo crescimento económico, apesar dos avanços do país.

“Crise e castigo e o dia seguinte” foi apresentado ontem no auditório da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho. No painel juntaram-se dois dos três autores do livro, Fernando Alexandre e Luís Aguiar Conraria, conceituados economistas, o reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, e Artur Santos Silva, ex-presidente da Fundação Calouste Gulbenkian.

Numa edição mais completa que a primeira, este livro destaca-se pelo acréscimo de uma parte que não consta na edição anterior. A introdução de um capítulo na segunda edição da obra é a novidade, ao retratar os aspetos positivos após a crise portuguesa.

O reitor da academia minhota elogiou a estrutura do livro, salientando a importância da investigação, de uma “ciência aberta”, onde as pessoas podem ter acesso aos dados e não só às publicações, o que é visível nesta obra.

Mais voltado para a análise económica, Artur Santos Silva apontou alguns dos avanços da economia, como a melhoria da capacidade de gerar e transmitir conhecimento, e enumerou o ensino, as pensões e a saúde como áreas que se vieram a desenvolver ao longo do tempo.

Paralelamente, foram sendo contextualizados vários episódios da economia nacional ao longo dos anos. No entanto, a “falta de acumulação de capital” foi um dos problemas apontados, revelando ainda que a falta de rigor nas contas públicas seria um desrespeito para o país.

Fernando Alexandre, um dos autores do livro, explicou que é um “grande privilégio fazer uma nove edição para o livro”, que procura identificar os vetores que foram decisivos para o caminho da economia portuguesa. “A crise que passamos não era uma inevitabilidade”, rematou.

Luís Aguiar Conraria apontou o ano de 2000 como um ponto de viragem da economia portuguesa, tendo sido o ano em que o crescimento desacelerou. Uma questão que se tentou responder nesta obra. As privatizações, as nacionalizações e a resposta à demora para Portugal se reerguer foram ainda outros temas apontados por Luís Aguiar Conraria, também retratados neste livro.